Segunda-feira, 02 de Março de 2026
Obras do Metrô são paralisadas por mais um ano


Em outubro do ano passado a Folha publicou matéria sobre a caótica situação dos imóveis desapropriados pela Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô na região da Santa Clara, onde está prevista a construção da estação Água Rasa. Devido à falta de conservação dos espaços, que estão vazios, o cenário é desolador e piora a cada dia. Mato alto, acúmulo de lixo e entulho, proliferação de mosquitos e ratos, vandalismo são alguns dos problemas relatados pelos poucos moradores que restaram na redondeza. No final de dezembro tudo o que a comunidade menos desejava aconteceu. Após permaneceram paralisadas durante o ano passado inteiro, as obras de expansão da Linha 2 – Verde foram novamente suspensas até o final de 2017.
Conforme a Folha apurou, o governo federal decidiu excluir o projeto do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e não destinar verba a São Paulo sob a alegação de que o governo estadual não conseguiu “formalizar a contratação das operações de crédito junto aos agentes financeiros do programa”. O anúncio foi publicado em portaria no Diário Oficial da União do dia 30 de dezembro de 2016. Já o estado alega que encaminhou à União todos os projetos para as obras de expansão. Enquanto o imbróglio entre Estado e Federação não é resolvido, a população é obrigada a conviver com antigos problemas.
“É uma enorme falta de respeito e de responsabilidade. Se o governo estadual não tinha o dinheiro para dar continuidade na obra porque desapropriou dezenas de imóveis, desamparou famílias e deixou tudo abandonado?”, questionou o aposentado João de Albuquerque, que reside na rua São Maximiano. “Agora que o estrago já foi feito o mínimo que deveriam fazer devidamente é a manutenção desses imóveis desapropriados e abandonados. É preciso que limpem e cerquem esses locais, além de destinarem vigilantes para esta área”, acrescentou Albuquerque.
Nesta semana a reportagem da Folha esteve novamente na localidade e constatou um cenário desolador. A área onde cerca de 15 imóveis foram demolidos em novembro de 2015, entre as avenidas Sapopemba e Adutora do Rio Claro está ainda mais crítico. O local foi cercado com placas de concreto, mas quase todas foram destruídas. O mato, lixo e entulho tomaram conta do espaço. “Semana passada duas vizinhas foram assaltadas ao passar por este trecho. Os criminosos se escondem dentro deste terreno e quando as pessoas passam eles atacam. Como aqui ficou um local ermo está mais fácil da bandidagem agir”, contou uma dona de casa que reside nas proximidades e não quis revelar o nome com receio de alguma represália.
A Folha levantou ainda que parte do projeto de expansão que depende do PAC é o trecho previsto para chegar até a Vila Formosa, para o qual estão projetadas as estações Orfanato, Água Rasa, Anália Franco e Vila Formosa. Para a concretização das obras, o Metrô depende da liberação de um crédito de R$ 2,5 bilhões, o qual seria financiado via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS).
Sobre a conservação e limpeza das áreas desapropriadas, o Metrô informou mais uma vez que mantém rondas motorizadas para a vigilância de todos os imóveis de sua posse e vai intensificar a limpeza dos terrenos que foram demolidos na primeira fase. Não foi divulgada uma previsão de quando esse serviço será iniciado.



