Terça-feira, 03 de Março de 2026
Centenas de famílias ocupam terreno particular na rua Vemag

Com importante valor histórico, já que abrigou a primeira fábrica de carros genuinamente brasileira, o extenso terreno particular onde funcionou a indústria Vemag, localizado na rua que leva o mesmo nome, está ocupado desde a semana passada por cerca de 600 famílias. A grande área na esquina com a rua Guamiranga, está repleta de barracas de madeira cobertas de lona e a quantidade de pessoas não para de aumentar.
O local, que foi apelidado pelos ocupantes como favela da Central, fica atrás do Central Plaza Shopping, bem próximo às estações Tamanduateí do Metrô e da CPTM. A maioria das pessoas é das favelas de Vila Prudente e Jacaraípe, que ficam a poucos metros do terreno. “Este grande espaço está abandonado há mais de 20 anos. Enquanto isso muitas famílias vivem apertadas em suas moradias. Nos reunimos e organizamos essa ação, pois percebemos que área tinha grande potencial de ser utilizado para abrigar estas pessoas”, contou um dos ocupantes. “Sabemos que o terreno é particular e que há um decreto da Prefeitura de interesse social, o qual destina a área para habitações populares. A intenção é permanecer aqui”, completou.
A ação de ocupação começou na terça-feira da semana passada, dia 15. Após um pequeno grupo se mobilizar, a Polícia Militar foi acionada e não permitiu a entrada. No entanto, no dia seguinte, com um número de pessoas muito maior, as famílias conseguiram invadir e começaram a lotear pequenas áreas no interior do terreno.
O espaço é propriedade da empresa Saven, que é administrada pela imobiliária e construtora Savoy, responsável pela construção de alguns shoppings na Capital e interior, inclusive o Central Plaza. De acordo com a empresa, o pedido de reintegração de posse já foi encaminhado à Justiça.
Segundo um dos integrantes do Movimento de Defesa do Favelado (MDF), que tem apoiado os ocupantes, a ação é pacífica e qualquer ordem judicial será obedecida.
De acordo com a Prefeitura, para o terreno em questão, há dois decretos de interesse social para desapropriação pela Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB). Os decretos foram assinados pelo prefeito Fernando Haddad em março deste ano e, para a execução, é necessária a disponibilidade de dotação orçamentária.


