Exemplo: corrida para vencer a depressão

corredor1Quem vê hoje o sorridente morador da Vila Zelina, Astrogildo Alves dos Santos, de 53 anos, não imagina que em 2006 ele sofreu grave depressão após a perda dos pais. Porém, por acaso, Santos foi parar no parque de Vila Prudente, onde encontrou um sentido para sua vida: a corrida. “Sou solteiro e sempre fui muito apegado à família, fiquei desolado quando minha mãe faleceu logo depois do meu pai. Passei um bom tempo sem vontade de fazer nada. Um dia resolvi sair andando pelas ruas, sem rumo, cabisbaixo, sem camisa, só de calça e chinelo. Quando dei conta estava dentro do parque, que nem sabia que existia. Ao ver os usuários, fiquei com vontade de correr com eles. No dia seguinte voltei e desde então nunca mais parei. Foi Deus quem me trouxe ao parque”, resume.

 

De 2006 para cá, apesar de não sobreviver apenas do esporte, Santos se tornou corredor profissional e o amor pelas corridas fez com que superasse outra perda. “Sem meus pais acabei criando uma ligação enorme com a minha irmã, que também veio a falecer há cerca de dois anos. Fiquei muito triste, mas não deixei me abater novamente e me concentrei ainda mais nos treinos. A corrida é a minha vida e também o meu médico. Desde que comecei a correr nunca mais tomei um remédio e nem fiquei doente, tinha 86 quilos e 32% de gordura em 2006, hoje tenho 64 quilos e 6% de gordura”, destaca o corredor, que trabalha como segurança no Colégio Franciscano São Miguel Arcanjo.

corredorSantos já perdeu as contas das corridas que participou e de quantas medalhas ganhou nestes quase oito anos no esporte. “Participo praticamente de uma competição por fim de semana. Tenho mais de 64 quilos de medalhas em casa. No ano passado fui eleito o sexto corredor mais rápido de São Paulo na categoria entre 50 e 54 anos. E tudo começou com a São Silvestre de 2006, quando corri sem experiência alguma, com apenas um mês de treinamento. Terminei a prova quase morrendo, com a língua no pé”, brinca.

Trabalhando a vida toda como segurança, Santos está prestes a completar um sonho: sair do país pela primeira vez. “Em janeiro vou participar da corrida da Disney, nos Estados Unidos. São 72 quilômetros em três dias. Será a minha primeira competição internacional. Tenho que agradecer, e muito, aos meus apoiadores e a minha equipe de corrida”, ressalta o segurança.

Santos, que percorre 25 quilômetros por dia nos treinos, conta com o patrocínio do colégio São Miguel Arcanjo, da lanchonete Santa Coxinha e da academia Piquesporte, e faz parte da equipe EC Tavares, que realiza treinos semanais no parque do Ibirapuera.

Apesar do apoio financeiro recebido, o morador da Vila Zelina ainda terá que tirar do seu bolso parte do valor para pagar a viagem à Disney, que sairá em torno de R$ 6.500. Quem quiser apoiar o corredor pode entrar em contato com ele pelo telefone 98737-4518.