Segunda-feira, 02 de Março de 2026
Novas tecnologias impedem o fim da operação assistida, segundo o Metrô

Indagada novamente nesta semana sobre a permanência da operação assistida na estação Vila Prudente quase três meses após sua inauguração, a Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô informou, através de nota, que a utilização de novas tecnologias como as que foram implantadas na parada do bairro e também na Tamanduateí “requer uma série de testes que demandam tempo muito maior do que o normal”. Em geral, em novas estações da rede metroviária de São Paulo, o período de duração da operação assistida é de 15 a 20 dias.
Na nota, a Cia. destacou o novo sistema de controle de trens, conhecido pela sigla inglesa CBTC, que permite que mais composições sejam disponibilizadas na rede, diminuindo o intervalo entre elas e consequentemente, a espera nas plataformas. Ressaltou ainda que todo o conjunto de operação deste sistema (sinalização, comunicação e segurança) “deve estar rigorosamente em excelentes condições de operação, pois a segurança do usuário é primordial”. Por fim , concluiu: “o Metrô permanecerá com a operação assistida nessas duas estações enquanto todos os rigorosos protocolos de testes não forem finalizados”.
Conforme a Folha VP apurou, as paradas Vila Prudente e Tamanduateí foram as primeiras da Linha 2 a receber o CBTC. O sistema também foi implantado nas estações Paulista e Faria Lima, da Linha 4- Amarela, inauguradas respectivamente em maio e junho deste ano, sendo que ambas ainda seguem na operação assistida também sem data para funcionarem em horário expandido.
A Folha VP questionou ainda se o contrato com a empresa fornecedora deste novo sistema previa tamanho período de testes e se a mesma estaria sujeita a algum tipo de penalidade pelos transtornos que vem gerando, mas o Metrô não respondeu as perguntas e também não fez qualquer menção sobre as falhas relatadas por usuários. Um desses episódios dá conta, por exemplo, que um problema ocorrido na estação Tamanduateí dias atrás deixou a Linha 2 paralisada por mais de dez minutos. Através deste site, um ex-funcionário do Metrô também mencionou a ocorrência ressaltando que foi uma situação grave, que só não teve maiores desdobramentos por ser fora do horário de pico, caso contrário poderia acarretar superlotação de plataformas e princípio de tumulto.
A maioria dos usuários também não se conforma com a inexistência de cobrança de tarifa nas estações Vila Prudente e Tamanduateí, o que obriga todos os passageiros a desembarcarem no Sacomã acarretando perda de tempo na chegada ao destino final. Consultado sobre esta questão no mês passado pela reportagem, o Metrô informou que a operação comercial só terá início quando as paradas funcionarem no período integral, das 4h40 às 24h. O morador do Sapopemba, Adriano Stofaleti rebateu a justificativa na época: “Pela resposta do Metrô, a cobrança de tarifa já na estação Vila Prudente, que é justamente o que facilitaria a vida do usuário, não precisa de testes. Oras, se não precisa de testes, por que não facilitar a nossa vida então???”.
A estação Vila Prudente foi inaugurada em 21 de agosto e a Tamanduateí, um mês depois. O horário de funcionamento das duas segue das 8h30 às 17h, assim como continuam os protestos dos usuários: “Os moradores da Vila Prudente esperaram muitos anos por essa estação, justamente para poderem ter um transporte mais digno, mas, pelo jeito, teremos que continuar esperando indefinidamente”, escreveu Marli Noce dos Santos. Vanda José também esbraveja: “o metrô precisa atender os trabalhadores de fato e não apenas os idosos, os turistas e os desocupados”.


