Depois de matar estudante de 19 anos, menor se entrega à Justiça

morte1O estudante universitário Victor Hugo Deppman, de 19 anos, foi morto com um tiro na cabeça na noite da última terça-feira, dia 9, em frente ao portão de entrada do prédio onde morava, na rua Herval, no Belenzinho. Ele foi vítima de um latrocínio – assalto seguido de morte – cometido por um menor de 17 anos, que no dia seguinte se entregou à Justiça e completa 18 anos na sexta-feira, dia 12.

O crime, que ganhou amplo destaque na mídia, causou muita comoção e protestos. Indignados com o brutal assassinato do colega, alunos da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, onde Victor cursava o terceiro ano de Rádio e TV, caminharam pelo meio da avenida Paulista na manhã de quinta-feira, dia 11, pedindo segurança e paz. Outra manifestação, organizada por moradores do Belenzinho, está marcada para sábado,, dia 13, a partir das 10h, no Largo São José do Belém. Eles já haviam feito um ato no mês passado pedindo mais segurança no bairro. A recomendação é que todos compareçam com camisetas brancas.

O crime
Victor, que chegava em casa por volta das 21h do estágio que realizava na emissora Rede TV, foi abordado pelo menor, que exigiu sua mochila e o celular. Segundo a polícia conseguiu apurar através das câmeras de segurança domorte2 prédio, o estudante, sem esboçar reação, entregou o celular e, quando tentava tirar sua mochila, foi atingido pelo disparo. As imagens mostram que o infrator fugiu correndo.

Na noite seguinte, o menor que efetuou o disparo e mora em uma favela na rua Nelson Cruz – a 800 metros do local do crime – se entregou no Fórum da Infância e Juventude, no Brás. O promotor Luiz Henrique Brandão Ferreira afirmou que o suspeito relatou ter atirado porque a vítima tentou desarmá-lo. As imagens das câmeras de segurança do condomínio confirmam que o estudante não reagiu. O adolescente já cumpriu medida socioeducativa na Fundação Casa (antiga Febem). A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou na tarde de ontem que a Justiça não autorizou divulgar a infração anterior do menor.

Segundo a polícia, na casa do adolescente foram encontrados um carregador e uma arma. No entanto, o menor afirmou que se desfez do revólver utilizado no crime instantes depois de efetuar o disparo.

Tentativa de socorro
De acordo com a SSP, após ser baleado o estudante foi socorrido por seu primo que tentou reanimá-lo na porta do edifício. Com a chegada da Polícia Militar, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e encaminhou o jovem para o hospital Santa Virgínia, onde o estudante faleceu.

O caso foi registrado como latrocínio no 31º Distrito Policial – Vila Carrão e, em seguida, foi transferido para o 81º DP – Belém, que assumiu as investigações.

Victor Hugo foi velado e sepultado na tarde da quarta-feira, dia 10, no cemitério Quarta Parada. Em solidariedade à família do jovem, vários amigos e estudantes acompanharam as cerimônias.

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Para vereador, menores devem responder de acordo com a lei penal

A Folha conversou com o vereador Ari Friedenbach (PPS), que desde 2003, quando sua filha de 16 anos foi violentada e morta por um adolescente também de 16, é militante em grupos que lutam contra a impunidade de crimes.

Segundo Friedenbach, que é advogado, a atual legislação é branda. “Menores de 18 anos que cometem crimes podem pegar no máximo três anos de reclusão na Fundação Casa. Teoricamente, no caso do universitário morto, o autor do disparo, que tem 17 anos e completa 18 na sexta-feira (hoje), deveria ficar até os 21 anos recluso, mas, se tiver um bom comportamento, em meses é solto e está de volta à rua com a ficha limpa”, explica o vereador. “O atual sistema libera esses jovens infratores depois de um tempo por não terem capacidade de mantê-los reclusos e por não terem vagas para outros infratores”, completa.

O vereador conta que tem lutado por reformas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “Acredito que o menor, independente da idade, deve ser responsável pelos seus atos. Eles precisam ser enquadrados dentro do Código Penal. Por exemplo: se um jovem de 16 anos comete um crime, é julgado e é determinado 20 anos de reclusão, ele deve ficar até os 18 na Fundação Casa e depois cumprir o restante da pena no sistema prisional convencional. Se não for assim, continuarão aumentando os casos de delitos cometidos por menores. Eles são os maiores conhecedores da lei. Por isso que o menor que assassinou o universitário se entregou. Ele sabe que daqui a alguns meses estará na rua novamente”, completou.  

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