Dia após dia, Largo de Vila Prudente é usado como albergue particular

moradores-de-rua-1Colchões, cobertores, peças de vestuários, muita sujeira e garrafas de bebidas alcoólicas são alguns dos itens que rotineiramente são encontrados em uma ilha do Largo de Vila Prudente, na confluência com a rua José Zappi, cuja função real seria servir de auxílio para travessia dos pedestres. Mas, conforme a Folha acompanhou dia a dia nesta semana, são poucas as pessoas que resolvem seguir a orientação das faixas de segurança e passar pelo ponto.

O problema é antigo e a Prefeitura não consegue resolver a questão. No entanto, nas duas últimas semanas, a Folha passou a receber sucessivas reclamações de residentes e comerciantes do bairro revoltadas com a situação, principalmente depois da Subprefeitura de Vila Prudente/Sapopemba alegar na semana passada, que equipes vistoriaram o Largo e não encontraram os moradores de ruas, nem seus pertences.

“O acampamento em pleno centro comercial do bairro é assintoso, agressivo. Com coisas e animais impedindo a passagem das pessoas e poluindo o visual do logradouro. Só a Prefeitura não vê? É piada? Mas, para multar o comércio enxergam até papelzinho colado na parede!”, esbraveja João P., que rotineiramente escreve para redação. Ele se refere ao comerciante da rua Ibitirama que foi multado em R$ 10 mil pela Lei Cidade Limpa por causa de um papel menor que uma folha de sulfite no qual anunciava o valor de uma sopa, conforme matéria publicada há 15 dias pela Folha.

moradores-de-rua-2Outro assíduo leitor do jornal, José P., também se manifestou após ver a resposta da Subprefeitura: “Deduzi que os responsáveis pela vistoria são cegos ou não sabem onde fica o Largo de Vila Prudente, porque as pessoas citadas nas reclamações permanecem 24 horas por dia sob a marquise de uma loja ou na ilha, inclusive às vezes até obrigam os pedestres a caminhar pelas ruas”.

Nesta semana, a Folha acompanhou e fotografou a rotina do local. O “acampamento”, como se referem alguns dos reclamantes, permaneceu montado dia e noite, juntamente com uma carroça que fica estacionada na via de rolagem. Por volta das 14h da última terça-feira, dia 26, havia inclusive um morador dormindo tranquilamente na ilha. Pela manhã, a reportagem flagrou um amontoado de garrafas de bebidas alcoólicas.

Para os comerciantes do trecho a situação afasta a clientela. “Eles não fazem mal a ninguém, mas ficam ali na ilha bebendo e deitados o dia inteiro. Quem não conhece essa rotina, acaba ficando assustado. Muitos clientes têm medo de passar aqui por causa desses moradores de rua, têm receio até de parar o carro, já que algumas destas pessoas ficam pedindo dinheiro para olhar o veículo. Essa situação atrapalha a imagem do comércio”, comenta um empresário que prefere não se identificar.

Já o vendedor de uma loja ressalta que a ilha é uma área pública e que a Prefeitura deveria tomar uma atitude. “Se alguém aqui da loja colocar qualquer coisa na calçada, que é de nossa responsabilidade, mas mesmo assim é uma área pública, somos multados pela subprefeitura. Já estas pessoas dominam a ilha, atrapalham os pedestres e ninguém faz nada. No Brasil é assim, se você paga imposto tem um monte de lei que dificulta a sua vida, já outros podem fazer o que quiser”.