Hospital veterinário gratuito ganha novo espaço de atendimento no Tatuapé

hv1Inaugurado no início de julho, na rua Professor Carlos Zagotis, no Tatuapé, em uma parceria da Prefeitura com a Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais de São Paulo (Anclivepa-SP), o primeiro hospital veterinário público de São Paulo para cães e gatos começou a atender também em um novo prédio, na rua Serra de Japi, desde a última segunda-feira, dia 17. O antigo espaço continua recebendo casos de emergência.

“Este novo prédio tem quase o triplo de tamanho e é mais moderno. Mas no outro endereço ainda mantemos os atendimentos dos casos graves e lá também estão os maquinários de exames”, explica o responsável pela unidade, doutor Renato Tartalia, que recebeu a reportagem da Folha nesta semana no novo endereço.

O veterinário destaca que o hospital tem um número máximo mensal de atendimentos e que existem prioridades.  “O nosso público alvo são as pessoas de classe baixa, que participam dos programas de bolsas dos governos. Até atendemos outros casos emergenciais, mas a preferência sempre é pelas famílias de baixa renda. Temos, por contrato com a Prefeitura, uma cota de 1000 consultas por mês, 35 por dia, então não adianta ter condições financeiras e forçar para ser atendido. Existe uma triagem rigorosa feita pela assistente social e se no dia tiverem 35 pessoas de baixa renda na fila, elas que serão atendidas. Lógico que somos seres humanos e adoramos animais, por isso não vamos negligenciar casos de emergência só pelo fato de o dono não ser da classe baixa, mas peço que as pessoas tenham bom senso”, ressalta o doutor.

hvCom quase três meses de funcionamento do hospital, Tartalia destaca quais são os maiores problemas encontrados nos animais. “Faço uma conta de que são dois cães para cada gato atendido. Na maioria esmagadora os principais quadros que recebemos são de fraturas e câncer, muitos em estágio avançado. E a maior parte dos cânceres são ocasionados por complicações nos órgãos genitais da fêmea, que poderiam ser evitados com a castração, que é feita gratuitamente pela Prefeitura. Tem três coisas fundamentais para manter um animal saudável: vacinação, castração e domiciliá-lo (mantê-lo em casa). Agora, também temos muitos casos de partos em que os filhotes não nascem e permanecem mortos dentro da mãe, o que gera muitas infecções. Então, se sua cachorra/gata está prenha, entrou em trabalho de parto, a bolsa rompeu, saiu o liquido e não nasceu o filho, corra para o veterinário”, ensina Tartalia.

Para finalizar, o doutor se mostra feliz com o resultado apresentado no trabalho do hospital. “Sou formado há 25 anos e nunca vi casos graves em uma escala tão grande como estou vendo aqui. Mas na maioria das vezes, quando o animal já não chega morto ou em um quadro irreversível, conseguimos sucesso no atendimento e na cirurgia. Lógico que ainda é muito cedo para falar que o cachorro ou o gato com câncer que atendemos ficou curado, já que estamos funcionando há menos de três meses, mas pelo menos já conseguimos um alívio imediato para a dor do animal e para o sofrimento de seu dono também”, completa o veterinário.

O hospital veterinário atende no Tatuapé de segunda a sábado, das 7 às 17h, nos endereços:

Rua Professor Carlos Zagotis, 3, na esquina com a avenida Radial Leste.

Rua Serra de Japi, 168.

Telefones: 2667-7804 / 2293-3785 / 2293-3786.

Pessoas de toda a cidade procuram a unidade

hv2“A maioria dos pacientes que vêm até nós é da Zona Leste mesmo, mas temos animais vindos de Interlagos e da Zona Norte”. A fala do doutor Renato Tartalia pôde ser comprovada pela reportagem ao conversar com as pessoas na fila de atendimento da unidade na tarde da terça-feira, dia 18.

“Fiquei sabendo do hospital pela Internet e pela TV. Minha cachorra está com problemas renais e está sendo tratada aqui há um mês. Ela já melhorou bastante”, explica a desempregada Claudia Contreras, que reside na Pompéia e é dona da poodle Brenda, de 18 anos.

Já a simpática a dona de casa Lucinda Souza Caparroz, de 66 anos, dona da weimaraner Julie, mora em Itaquera. “Tenho quatro cachorros, sou apaixonada por esses animais. Não posso ver um cão sofrendo na rua que quero pegá-lo. A Julie era de uma patroa da minha nora, que não podia mais ficar com ela. Então levei pra casa. Só que ela é de uma raça que precisa de muitos cuidados e eu não tenho dinheiro para isso. No começo a antiga dona pagava ração e veterinário, depois parou”, comenta Lucinda, que estava acompanhada do filho Márcio. “Agora apareceu esse tumor na boca dela. Levamos em uma clínica particular e sairia por R$ 2.500. Trouxemos aqui e vão operá-la. Só que não sabemos como será o tratamento, já que a radioterapia só é feita em unidades particulares e não temos como pagar”, conta Márcio após saber que a cirurgia de Julie foi marcada para o dia 9 de outubro.

Quem também vivia a agonia da espera de uma intervenção era a moradora da Penha, Maria Amélia, dona da vira-lata Melissa. “Ela não é castrada e na última sexta pegou uma infecção no útero. Na segunda vim aqui e marcaram a cirurgia para hoje (terça). Agora estou aguardado e torcendo para que tudo dê certo”, ressalta Maria.