Segunda-feira, 02 de Março de 2026
Incêndio em imóvel ocupado deixa dois mortos

Por volta das 5h da última segunda-feira, dia 12, o Corpo de Bombeiros recebeu chamado para fogo no terceiro andar da edificação na esquina das avenidas Vila Ema e Salim Farah Maluf. Equipes de dez viaturas foram empenhadas no combate às chamas. Após a extinção do incêndio, durante o trabalho de rescaldo, os bombeiros encontraram dois corpos: de um homem de 35 anos e de um bebê de dois meses de idade.
O caso foi registrado no 42º Distrito Policial – Parque São Lucas e de acordo com a Secretaria de Segurança Pública, no local, “a autoridade policial apurou que a criança estava sozinha no momento do incêndio, o que caracteriza crime de abandono de incapaz”. Diante da situação de flagrante, a mãe foi conduzida à delegacia, onde foi ouvida e presa.
As investigações prosseguem para apurar as causas do fogo e esclarecer todas as circunstâncias dos fatos.
História
No passado, entre as décadas de 70 a 90, funcionou no local a Padaria Amália, que foi bastante famosa na região. Porém, depois do encerramento das atividades, o imóvel de propriedade particular ficou fechado e se deteriorando por anos, até ser ocupado por cerca de 200 famílias de sem-teto na madrugada de 7 maio de 2016.
Em janeiro de 2019 o prédio chegou a ser totalmente desocupado após a Prefeitura mover ação com pedido de tutela de urgência, por causa das precárias condições do imóvel. A Justiça acatou a solicitação do governo municipal, concedeu a liminar para desocupação e o proprietário foi intimado a realizar as obras necessárias para estabelecer a segurança da edificação.
Após a retirada das famílias, a Prefeitura emparedou os acessos do prédio, mas, poucos dias depois voltou a ser invadido. Na ocasião, o governo municipal ressaltou que cabia ao proprietário impedir a reocupação.
Desde então, o número de moradores no imóvel foi aumentando. Também foram instalados comércios. No terreno do prédio, funcionava ainda uma cooperativa de reciclagem.
Durante o incêndio desta semana, os bombeiros destacaram que havia muito material combustível no local.
Nova desocupação
A Secretaria Municipal de Habitação informou à Folha que realizou na terça-feira, dia 13, um plantão social para o cadastramento das famílias que viviam no prédio. A partir desse atendimento será possível a concessão de um auxílio emergencial no valor de R$ 1 mil, como medida de proteção habitacional imediata. Foram cadastradas 132 famílias para acolhimento na Rede Socioassistencial e oferta de insumos. Nenhuma família havia aceitado o acolhimento até a última posição da Prefeitura.
A Defesa Civil, vinculada à Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), isolou o prédio, que permanecia preservado pela polícia para a realização dos trabalhos de perícia. Mas, vizinhos já denunciaram novas tentativas de reocupação.
Em março do ano passado, o imóvel foi vistoriado pela Subprefeitura da Mooca que constatou risco de ruína estrutural. A Prefeitura afirma que pediu nova desocupação à Justiça, que foi autorizada. Mas, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) definiu prazo para saída voluntária até junho de 2026.
A Folha também procurou o representante dos proprietários e aguarda um posicionamento.

Foto no topo: Reprodução TV Globo
Foto no fim do texto: Reprodução internet


