Barreiras da Coleta Seletiva: desconhecimento e falta de interesse

coletDesde 2007 a cidade conta com um programa de Coleta Seletiva de lixo que é dividido em duas frentes: através dos 3.811 Postos de Entrega Voluntária (PEV’s), distribuídos por estabelecimentos particulares e equipamentos públicos; e por meio de caminhões identificados com logomarca própria que atendem vias em 75 dos 96 distritos de São Paulo, em dias e horários diferenciados da coleta tradicional. No entanto, apesar de existir há mais de cinco anos, a coleta porta a porta ainda encontra dificuldades por conta da falta de divulgação e da resistência de alguns moradores em aderir ao programa. Diariamente, cerca de 9,5 mil toneladas de lixo domiciliar são produzidas na Capital, deste total, apenas 1,2% segue para as centrais de reciclagem.

 

Na região, um exemplo é a rua Ignácio, na Vila Zelina, onde o serviço passa toda terça-feira à noite, mas parte dos moradores desconhece o programa. “Me mudei para cá há dois meses e fiquei sabendo agora, por vocês (reportagem), que esta rua conta com a Coleta Seletiva. Agora, vou procurar separar o meu lixo”, comenta a advogada Helen Junqueira.

Na mesma via, o aposentado Expedito José Coelho de Almeida faz questão de ensacar o material reciclável semanalmente. “Eu e minha mulher juntamos o lixo em uma caixa de papelão e na terça-feira o colocamos em sacos para ser recolhido. Não custa nada e não toma muito tempo”, destaca Almeida.

Já no distrito do São Lucas, uma das vias atendidas é a rua Doutor Nogueira de Noronha. Apesar do caminhão de coleta passar às sextas-feiras de manhã, há quem prefira não aderir ao programa. “É difícil encontrar tempo para separar o material que pode ser reciclado. Fora que, por exemplo, a caixa do leite precisa ser lavada antes de descartada. E na correria do dia a dia acabamos jogando no lixo comum mesmo”, afirma uma gerente comercial que reside na via e prefere se identificar apenas como Ana Paula.

Outro problema apontado pela população são os horários que os caminhões passam pelas as vias, como explica Elvira Martes Silva, moradora da avenida Cassandoca, na Mooca. “Acho o programa interessante. Tentei separar o material e colocar na lixeira da minha calçada. Só que a Coleta Seletiva passa na Cassandoca de segunda à tarde e eu saio para trabalhar às 6h30 e não fica ninguém em casa. Colocava o lixo reciclável bem cedo e os cachorros ou os moradores de rua destruíam a sacola, que acabava não sendo recolhida pelo serviço. Então parei de separar”, ressalta Elvira.

Questionada sobre o critério de escolhas das vias, a Secretaria Municipal de Serviços, por meio da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana – AMLURB, informou que a divulgação da Coleta Seletiva é realizada pelas concessionárias responsáveis pelo serviço. O órgão destacou ainda que as ruas de um distrito são escolhidas mediante a apresentação de um plano operacional para o local e que qualquer solicitação de ampliação do programa deve ser efetuada à AMLURB que a encaminhará para as concessionárias para as adequações necessárias.

Saiba se sua rua participa do programa

No site da Prefeitura, no ícone “Zelando Pela Cidade”, o morador pode digitar o cep de sua rua e pesquisar se a via é atendida pela Coleta Seletiva. No endereço também é possível descobrir os dias e períodos em que o serviço é executado. O link direto para a pesquisa é www3.prefeitura.sp.gov.br/limpeza_urbana. 

Mais de 200 toneladas de recicláveis são recolhidas na região

coleta1Duas concessionárias são responsáveis pela coleta porta a porta nas áreas das subprefeituras de Vila Prudente/Sapopemba e Mooca: Ecourbis e Loga, respectivamente. De acordo com as empresas, entre os seis distritos da SUB-MO e os três da SUB-VP são recolhidas, em média, mais de 200 toneladas de matérias recicláveis separados pelos moradores.  

A Ecourbis informou que recolhe mensalmente cerca de 160 toneladas de resíduos na área da Subprefeitura de Vila Prudente/Sapopemba, que envolve os distritos de Vila Prudente, São Lucas e Sapopemba. A empresa ressaltou também que a divulgação dos serviços é feita nas vias por meio de panfletagem porta a porta.

Já a Loga, que realiza o trabalho na área da Subprefeitura Mooca, destacou que os veículos coletores visitam as vias que disponibilizam os resíduos uma vez por semana, em uma frequência que não coincide com a da coleta domiciliar. Foi ressaltado ainda que após a coleta na vias, os caminhões se dirigem à Estação de Transbordo Ponte Pequena para pesagem onde é definido o local de destino, que são as cooperativas cadastradas. Foi destacado também que por conta da grande quantidade de resíduos recicláveis de alguns condomínios, são disponibilizados containeres que no dia e horário de coleta, são colocados na calçada pelos zeladores para a retirada do material. Para finalizar foi informado que em 41 bairros dos seis distritos (Mooca, Tatuapé, Água Rasa, Belém, Pari e Brás) foram coletados em abril cerca de 69 toneladas de lixo reciclável.

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