Terça-feira, 03 de Março de 2026
População reclama de falta de ação da Prefeitura para evitar novas enchentes
Ainda está na memória de moradores e comerciantes o caos que tomou conta da região nos primeiros meses deste ano. Enchentes atingiram ruas e avenidas violentamente. Carros chegaram a ficar empilhados na avenida Anhaia Mello após serem arrastados pelas águas. Para desespero da população, uma nova temporada de chuvas se aproxima e ninguém viu uma ação efetiva da Prefeitura para evitar que as cenas se repitam.
Um dos principais pontos de enchentes da região é a esquina das avenidas Anhaia Mello e Paes de Barros, na Vila Prudente. Uma das moradoras do local que sofreu perdas com a força da água e teme pelo pior mais uma vez é a professora Eliana Kaiser. “Moro aqui há 30 anos e essa foi a maior tragédia que vivenciei. Nunca tinha visto uma enchente tão grande como a que ocorreu em março passado. A água ultrapassou o meu muro e a comporta, que têm quase dois metros de altura, arrombou a porta e invadiu a sala e a cozinha. Dentro de casa, a água chegou a 1,5 metro. Perdi muita coisa. Com a reforma, inclusive elétrica, e a compra dos aparelhos e móveis danificados, tive um gasto de cerca de R$ 40 mil. Tenho isenção de IPTU, mas isso é insignificante perto do prejuízo”, argumenta. “O pior é que depois disso não vi nenhuma ação da Prefeitura neste trecho para evitar que as enchentes voltem a acontecer. Estou com medo”, destaca Eliana.
Outro local onde os moradores se apavoram com a chegada da temporada de chuvas é a rua da Prece, também na Vila Prudente. “Esta via sempre foi ponto de enchente, mas, a cada ano que passa, parece que fica pior. Tirando algumas limpezas de bueiro, a Prefeitura não fez nada por aqui nos últimos anos. Pelo contrário, a implantação do ecoponto na via prejudicou ainda mais. A unidade tem um muro para a Salim Farah Maluf, que bloqueia a passagem da água”, comenta o morador Humberto Gomes Oliveira.
Quem também reclama da falta de trabalho da Prefeitura no combate às enchentes são os comerciantes do Largo de Vila Prudente – que fica intransitável em época de chuvas. “Tive que aumentar a comporta para barrar a água. Cada ano que passa fica pior e não vemos nenhuma ação concreta do poder público”, comenta Sonia Maria Gomes da Silva, dona de uma loja de calçados no trecho. “Além disso, os varredores da Prefeitura empilham os sacos com sujeira na calçada de um posto de gasolina do trecho. O recolhimento só é feito horas depois, no final da tarde. Então, quando chove, estes sacos entopem os bueiros piorando ainda mais a situação”, denuncia Sonia.
Não é somente a falta de obras que deixa a população indignada. A ineficácia na limpeza das galerias é outro problema. Um exemplo são as ruas Bento Sabino dos Reis, Maria Fett e Simão Pereira de Sá, na Vila Ema, que receberam uma grande obra de reforço de drenagem em 2009, mas voltaram a sofrer com as enchentes no início do ano. “Com os trabalhos na galeria as cheias tinham acabado. Entretanto, entre janeiro e março, as vias voltaram a alagar. Lógico que não como antes, mas a água subiu e isso não era para acontecer. Porém, já era previsto, pois raramente vemos a Prefeitura fazendo a manutenção e a limpeza do sistema. Gastam milhões e não cuidam”, reclama Victor Andrade Dias, morador do trecho.
Outros locais que sofreram muito com as enchentes deste ano e não receberam melhoria são as esquinas da Anhaia Mello com a Salim Farah Maluf e com a rua Pinheiro Guimarães – que, para piorar, ainda contam com as obras do monotrilho. Outros pontos críticos são a rua Costa Barros, próximo à rua Barbeiro de Sevilha; a rua José Zappi e os baixos do viaduto Grande São Paulo, na Vila Prudente.


