Tradição e modernidade na reabertura do Museu da Imigração

museuO governador Geraldo Alckmin reinaugurou o Museu da Imigração no último dia 31. Além de uma grande obra de restauro, ganhou novo e moderno plano museológico e exposição de longa duração totalmente reformulada. O espaço estava fechado desde o segundo semestre de 2010 e o investimento foi de R$ 20 milhões. O histórico prédio teve a sua construção finalizada em 1888, quando já abrigava desde o ano anterior, a Hospedaria dos Imigrantes.

“Hoje é um dia de grande emoção, de grande alegria. São Paulo foi fundado em 1554 pelos padres jesuítas e renasceu aqui com a hospedaria dos imigrantes em 1887”, destacou o governador. “Essas paredes ouviram mais de 70 línguas diferentes, gente do mundo inteiro que veio aqui para São Paulo no período áureo do café, depois se dedicou também à indústria, aos serviços, às ciências e às artes, enfim, abrigou muitos sonhos”, concluiu Alckmin.

Depois da solenidade oficial de abertura, a programação festiva seguiu com apresentações teatrais, de dança e música das comunidades de imigrantes e descendentes e foi encerrada com o show de Arnaldo Antunes no final da tarde.

Nos dois primeiros meses após a reabertura, junho e julho, o acesso ao Museu da Imigração será totalmente gratuito. O ingresso inclui os espaços expositivos, jardim, biblioteca e área de convivência. A Maria Fumaça, gerida pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, permanece com saídas regulares da estação dentro do museu, mas, é necessário comprar o bilhete.

Novidades

museu2Com a retomada das atividades, será oferecida programação cultural que contempla diversos públicos. A agenda conta com apresentações artísticas, oficinas e palestras sobre os processos migratórios. A localização do Museu – entre a Mooca e o Brás – privilegia o debate de questões relativas à memória da cidade. “A proposta é que o Museu se torne um espaço de articulação, promovendo reflexões sobre a experiência do deslocamento e a construção da identidade paulista a partir de múltiplas origens”, comenta a diretora executiva da instituição, Marília Bonas.

Entre as novidades, destaque para a exposição de longa duração que, em oito módulos, conta por meio de documentos, fotos, vídeos, depoimentos e objetos, como o processo migratório é um fenômeno permanente na história da humanidade. Apresenta ainda um panorama da grande imigração ocorrida nos séculos XIX e XX e detalha o cotidiano da Hospedaria de Imigrantes.

O público encontra também espaços de imersão – como uma sala que recria um amplo dormitório da antiga Hospedaria, com projeções em grande escala de trechos de cartas e trilha sonora especial.

O Museu da Imigração ganhou também uma unidade do Acessa SP, programa de inclusão digital do Governo do Estado que busca a interação da população com as novas tecnologias da informação e comunicação. O posto possui oito computadores para usuários, internet com velocidade de 4 MB, plataforma que permite o uso dos computadores por deficientes visuais, e tem capacidade para realizar mais de 2,5 mil atendimentos por mês.

Museu da Imigração: rua Visconde de Parnaíba, 1316, Mooca, em São Paulo. Horário de funcionamento: de terça a sábado, das 9 às 17h, e aos domingos das 10 às 17h. Gratuito durante os meses de junho e julho. Quinzenalmente, às sextas-feiras, oferecerá visitação noturna, ampliando o horário de atendimento até às 21h. Mais informações no site www.museudaimigracao.org.br.

Arte contemporânea

museu1No primeiro momento da nova exposição de longa duração, o visitante encontra no trajeto uma obra de Nuno Ramos – importante nome da arte brasileira contemporânea – que trata da relação estabelecida entre o homem, o trabalho e a diversidade de línguas. Inspirada em um trecho do livro “É isto um Homem?” do escritor italiano Primo Levi, a instalação homônima, recria uma caçamba tombada com quase 30 mil tijolos marcados com palavras em francês, tcheco, iídiche, alemão, húngaro e inglês mencionadas no texto de Levi.