Segunda-feira, 02 de Março de 2026
Protesto por moradia bloqueia avenida do Estado por mais de quatro horas

Cerca de cem pessoas que ocupam dois grandes terrenos na esquina da rua Forte de São Bartolomeu com a avenida do Estado, na Vila Prudente, protestaram na terça-feira, dia 31, porque foi definida, para os dias 25 e 26 deste mês, a reintegração de posse dos espaços. O ato começou por volta das 17h30 e a avenida só foi liberada às 22h. Os manifestantes colocaram fogo em pneus e outros objetos, bloqueando o tráfego. A Polícia Militar precisou intervir com bombas de efeito moral para dispersar os protestantes. O Corpo de Bombeiros foi acionado para conter as chamas das barricadas.
“Não conseguimos impedir a revolta das famílias assim que tomaram conhecimento do que foi definido na reunião que aconteceu com a Polícia Militar à tarde. Vários órgãos públicos estavam presentes e nenhum se preocupou com o destino das pessoas”, alegou a líder comunitária Vanessa Soares. De acordo com ela, cerca de 300 famílias moram na ocupação, totalizando 800 pessoas, sendo 100 crianças. “Os órgãos presentes falaram apenas em remover os animais e os entulhos. Não ofereceram abrigo temporário. Para onde irão todas essas pessoas?”, questiona Vanessa que critica a política habitacional. “A única orientação foi para nos cadastrarmos pela Internet no programa habitacional da CDHU. O problema é que muitas famílias que ocupam os terrenos estão cadastradas há anos e nunca são contempladas. Eu, por exemplo, estou há 12 anos na fila aguardando uma moradia popular e não há previsão”, completou.
Histórico
Os terrenos foram ocupados em agosto do ano passado, quando começaram a receber intensa movimentação de famílias de sem-tetos ligados ao Movimento de Defesa dos Favelados (MDF), que tem sede na Vila Alpina. Nos locais foram erguidos fileiras de barracos de madeirites.
Uma das áreas invadidas pertence à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e a outra, com extensão maior, é de propriedade do Grupo Matarazzo e faz divisa com o município de São Caetano do Sul. O agravante é que este terreno está sob suspeita de contaminação, de acordo com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB).


