Moradores da Vila Prudente e São Lucas questionam vereadores sobre adensamento em eixo da Anhaia Mello

zoneamentoAlém da Operação Urbana Consorciada Bairros do Tamanduateí que planeja aumentar a população de Vila Prudente de 130 para 270 habitantes por hectares na faixa que margeia o rio (leia mais na página 6); o bairro também é alvo da revisão da Lei de Zoneamento que classifica a avenida Anhaia Mello como Zona Eixo de Estruturação da Transformação Urbana (ZEU) – áreas que, na visão da Prefeitura, por contarem com boa estrutura de transporte público, permitem adensamento elevado. Tal situação vem preocupando moradores da região que se manifestaram na audiência pública promovida pela Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente da Câmara Municipal no dia 17, no salão do Círculo de Vila Prudente.

Os distritos de Vila Prudente e São Lucas somam cerca de 250 mil habitantes e na opinião do vereador Paulo Frange (PTB), relator do projeto, “a verticalização da região ainda é muito pequena”. Durante a audiência foi citado estudo que aponta que o crescimento demográfico na região está negativo. “Essas zonas do Eixo de Transformação previstas no projeto trabalham no sentido de trazer mais desenvolvimento social e econômico para esses bairros. Serão construções de cerca de 28 metros de altura”, explicou. Além dele, também estavam presentes os vereadores Gilson Barreto (PSDB) e Edir Sales (PSD).

A Prefeitura promete que melhorias ambientais, de transporte, e drenagem virão antes do adensamento, mas lideranças e moradores não ficaram satisfeitos com a proposta. O presidente do Círculo e da Folha, Newton Zadra, lembrou que a Vila Prudente, junto com a Mooca, são as regiões mais carentes da cidade em áreas verdes por habitantes e que enquanto a Prefeitura alega que não tem verba para novos parques, insiste em adensar, o que vai prejudicar ainda mais a qualidade de vida de quem já reside nos distritos.

Moradores também reclamaram que a Prefeitura não resolve o problema de quem sofre com as históricas enchentes da Anhaia Mello e mesmo assim, quer colocar mais habitantes ao longo da avenida.
O advogado e conselheiro participativo de Vila Prudente, Osmar Lemes dos Santos, também se manifestou contrário. “Hoje já temos dificuldades com falta de creches, postos de saúde, áreas verdes e de lazer. Com o crescimento da população isso deve piorar”, destacou.

O vereador Gilson Barreto alertou sobre a importância da participação popular. “Não estamos aqui para dizer amém para o que o prefeito mandou, podemos mudar o que for necessário, mas se não houver manifestação das pessoas para a Comissão, o projeto vai passar e ficar como está”, sintetizou. Todos os vereadores presentes colocaram seus gabinetes à disposição para esclarecer dúvidas e receber novas demandas.
“Estamos na reta final das audiências nas subprefeituras, depois teremos as temáticas na Câmara Municipal. O projeto deve entrar em votação em novembro. Ainda dá tempo de fazer propostas e acompanhar atentamente, porque é essa lei que dará as diretrizes da cidade pelos próximos 20 anos”, destacou a vereadora Edir Sales.

Através do link http://www.camara.sp.gov.br/zoneamento/ é possível ter mais detalhes do projeto, fazer propostas e conferir a agenda das próximas audiências.

Entenda a ZEU

A ZEU corresponde às áreas destinadas ao uso residencial e não residencial com densidades demográfica e construtiva altas. O coeficiente de aproveitamento na ZEU – fator que, multiplicado pela área do terreno, indica a quantidade de metros quadrados que podem ser construídos em um lote – será alterado próximos das linhas de trem e metrô e corredores de ônibus. Nessas regiões, o fator será quatro, o que significa que se o terreno tiver 100 m², o investidor poderá erguer um prédio de até 400 m² da área construída. Enquanto em outros territórios de São Paulo, o fator será dois.

kimania