Comunidade lituana afirma que a história da Vila Zelina não está sendo respeitada

vzSempre foi bastante comum associar o bairro da Vila Zelina aos lituanos, imigrantes ou seus muitos descendentes, no entanto, nos últimos anos, a Associação dos Moradores e Comerciantes do Bairro de Vila Zelina (AMOVIZA), fundada em 2008 e que afirma em seu site que defende também os interesses de bairros adjacentes, como Vila Bela, Jardim Avelino, Quinta das Paineiras e Vila Alpina (embora este último conte com duas antigas sociedades de moradores), deu início a um movimento que visa transformar a região em temática do Leste Europeu. Apesar de não se declararem totalmente contra o projeto, representantes de comunidades lituanas afirmam que a iniciativa não corresponde a história da Vila Zelina especificamente. Reclamam ainda que a cultura lituana vem sendo sistematicamente subtraída do material desenvolvido para divulgar a ideia.

 O ápice do problema foi um calendário de 2013, criado pela AMOVIZA, que entre outros locais, não cita que a construção da igreja São José de Vila Zelina foi liderada pelo padre lituano Benediktas Sugintas e financiada pelos imigrantes lituanos, que chegaram inclusive a doar o trabalho braçal também. Até hoje as missas são bilíngues (português/lituano) na igreja. No entanto, no calendário da Amoviza, a Paróquia de São José consta apenas como católica. Já na Igreja Batista Boas Novas, localizada a poucos metros da Paróquia de São José, existe a referência de ligação com a comunidade russa.

“As pinturas da igreja de São José têm autoria do artista lituano Antanas Navickas, que morou no bairro. Os vitrais são de santos de devoção na Lituânia. A igreja foi inaugurada em 16 de fevereiro de 1936, dia da Independência da Lituânia. Não tem como ignorar tudo isso”, ressalta Lúcia Maria Jodelis Brutrimavicius, que reside na Vila Zelina desde o nascimento em 1944. Os pais dela chegaram ao bairro em 1938.

vz1“Queremos exclusivamente preservar a história e a verdade”, ressalta Natália Baria Zizas, que ao lado de Lúcia Maria e Pio Oswaldo Butrimavicius, esteve na Folha na tarde da última quarta-feira, dia 3 (depois de encaminhar o manifesto abaixo). Eles afirmaram que desde o ano passado, pleiteiam uma reunião com os responsáveis pela AMOVIZA para discutir o projeto que na opinião deles “minimiza, e muito, todo o trabalho executado pela comunidade lituana em prol do bairro”. “Também não concordamos com a miscelânea cultural que está sendo idealizada para a Vila Zelina. Querem colocar orelhões em formato de Matrioshkas (bonecas russas) no Largo de Vila Zelina. Não tem nada a ver. Os imóveis do entorno da paróquia são de propriedade de diversas famílias lituanas. No centro da praça República Lituana há o Monumento da Liberdade (réplica do que existe na cidade de Kaunas)”, ressalta Natália.

A Folha vai propor uma reunião pública para discutir a questão.

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