Crematório de Vila Alpina não tem urnas para guardar cinzas

crematorio-atualApós aguardar o prazo estipulado pelo Serviço Funerário do Município, uma família voltou ao Crematório Dr. Jayme Augusto Lopes, na Vila Alpina, para retirar as cinzas do ente querido. O momento naturalmente desagradável ficou pior quando receberam as cinzas em um saco plástico transparente, fechado com grampos. “Minha mãe ficou bastante constrangida com aquela situação. Era a irmã dela. Imediatamente pedi uma urna e a funcionário respondeu que estavam sem há um tempão”, conta o sargento do Corpo de Bombeiros, Marcos César Aiza.

Ele perdeu a tia em 1º de abril e foi ao crematório no último dia 13, junto com a mãe, para retirar as cinzas. “Insisti que não sairia dali daquele jeito e aparecem com quatro urnas usadas, alegando que foram deixadas por pessoas que depositaram as cinzas no próprio crematório. Estavam em mau estado e somente depois de muita discussão, vieram com uma melhor”. Apesar de na própria ocasião ter escrito uma carta de próprio punho reclamando do ocorrido, onde consta seu telefone, Aiza não recebeu retorno do Serviço Funerário até o momento.

Ele questiona ainda os preços dos serviços que envolvem a morte, todos controlados pela Prefeitura. “São caros. Só por duas horas de velório, meu tio gastou mais de R$ 1 mil. É uma grande falta de consideração”, ressalta.

Se passando por um munícipe, a reportagem da Folha ligou no crematório na tarde de ontem e perguntou se havia alguma urna disponível. A atendente respondeu que restavam apenas os modelos mais caros “de mais de mil reais”. Conforme tabela do Serviço Funerário, tratam-se dos modelos em bronze com formato golfinho simples, R$ 1.545, e formato golfinho duplo, R$ 3.049,40. Para quem não quiser desembolsar estes valores, resta a embalagem plástica já que a funcionário garantiu que não tem previsão para receber as outras urnas. Ainda segundo a tabela oficial, opções a partir de R$ 32 deveriam estar à disposição de quem contrata o serviço no crematório.

Mas, não é apenas a falta de urnas que vem recebendo queixas no crematório. O elevador de caixão da sala de cerimônias está quebrado há várias semanas. “As famílias ficam constrangidas em ver os funcionários carregando o caixão para colocar em cima de uma ‘tábua’ muito mal acabada, sem pintura ou envernizamento, depois de pagar caríssimo pelo serviço. É triste perder um ente querido, ser explorado por todos os lados e ao fazer a cerimônia, ver o caixão ridicularmente instalado”, comentou o contador da região, Baltazar Mansano Filho, através do site da Folha.

Questionado pela reportagem, o Serviço Funerário informou que diariamente são realizadas, em média, 25 cremações na unidade da Vila Alpina. Por ano, são 9 mil cremações, o que de acordo com a autarquia municipal, acarreta um desgaste natural dos equipamentos. No caso do elevador de caixão da sala de cerimônias, que tem quase 40 anos de uso, foi informado que tem peças de difícil reposição e que o processo licitatório para aquisição de um novo motor está em andamento. A previsão é que o elevador volte a operar em até 30 dias.

O Serviço Funerário informou ainda que as embalagens plásticas disponibilizadas gratuitamente são próprias para o armazenamento de cinzas e continuarão disponíveis à população. Foi ressaltado que as embalagens são fornecidas para todos os munícipes e quem desejar poderá optar pela compra de uma urna.

Sobre a falta de urnas mais acessíveis à população, o Serviço Funerário alegou que a nova licitação para aquisição do material está em andamento, e que produtos estarão disponíveis no crematório tão logo esta etapa seja concluída. Não foi mencionado qualquer tipo de prazo.