Editorial: Novo apagão e mais um trauma

Dois anos depois, os paulistanos reviveram todo o drama do absurdo apagão da Enel de novembro de 2023. Naquela ocasião, moradores da Vila Prudente chegaram a enfrentar desesperadoras 118 horas sem o abastecimento de energia elétrica. No pesadelo desta semana, até o fechamento desta seção no início da noite de ontem, dia 11, mais de um milhão de clientes permaneciam sem luz – muitos deles desde a manhã da quarta-feira, dia 10. E a concessionária não fornecia um prazo exato para o restabelecimento total do serviço.

Não foi por falta de alertas. Foram insistentes avisos da Defesa Civil do Estado de São Paulo e de outros órgãos meteorológicos sobre os impactos que o ciclone extratropical formado no sul do Brasil provocaria no estado paulista. Fortíssimas rajadas de vento estavam mais do que previstas e anunciadas.

Mesmo assim, tudo indica, que a Enel não deixou todo o seu efetivo de sobreaviso. Ainda sob o impacto dos fortes ventos na capital paulista, tomadas aéreas de jornais televisivos flagraram pátios da empresa com dezenas de carros de manutenção parados. Um deles fica no Ipiranga, nosso vizinho. Enquanto isso, a Vila Zelina, por exemplo, seguia com imóveis às escuras desde às 10h da quarta-feira. No Jardim Independência, até às 18h de ontem, diversos imóveis continuavam sem luz. Um vídeo postado nas redes sociais da Folha mostra o completo breu em parte do bairro na preocupante noite anterior.

A Prefeitura, por meio da Procuradoria Geral do Município (PGM), notificou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Enel, pedindo explicações sobre o grande número de veículos da concessionária parados em garagens. Além disso, a PGM pediu para que a empresa esclareça, em até 48 horas, os motivos que levaram parte da população a sofrer com a interrupção do fornecimento de energia por tantas horas.

É urgente que todas as autoridades competentes se debrucem com rigor sobre mais esse escândalo envolvendo a Enel e medidas efetivas sejam adotadas. Não adianta apenas esbravejar enquanto quem sofre mesmo é a população em geral, com alimentos estragando nas geladeiras, prejuízos no trabalho e em equipamentos hospitalares, entre outros graves problemas.