Segunda-feira, 02 de Março de 2026
EDITORIAL: Vila Prudente 135 anos

Neste sábado, 4 de outubro, Vila Prudente completa seu 135º aniversário. Uma característica única do bairro é que ele foi fundado por quatro italianos natos e teve a sua data de “nascimento” registrada nos maiores jornais de São Paulo, assim como a origem do seu nome, derivado do ex-presidente da República, Prudente José de Moraes Barros, na ocasião governador do estado paulista.
Diferente dos vizinhos Mooca e Ipiranga, Vila Prudente já cresceu vendo seu nome pulverizado em vários pequenos loteamentos, cada um deles ostentado sua denominação, provocando enorme dificuldade para identificar com precisão suas divisas. Futuramente, com a organização administrativa e territorial da cidade em 96 distritos, Vila Prudente também deu nome a um desses distritos que hoje concentra o bairro homônimo e outros como a Vila Zelina e o Jardim Avelino, por exemplo.
No entanto, foi a chegada do metrô em 2010 e anos depois da primeira linha de monotrilho do Brasil, que fez a Vila Prudente se transformar numa grife. De antiga vila operária, que cresceu no entorno das primeiras fábricas (foto acima do início do século 20), agora dá status morar na região e muitos dos novos empreendimentos em construção ostentam Vila Prudente. Ao contrário de anos atrás quando prédios no centro do bairro ganhavam nomes ligados a Mooca.
O resgate da identidade é um lado bom da história, mas o desenvolvimento veloz e assustador do bairro, trouxe consigo também as mazelas da falta de planejamento apropriado. No afã de aproveitarem a onda, perdeu-se o respeito pela história local e corrobora para isso a benevolência de leis frouxas e de autoridades alienadas (e alienígenas) que não resolvem velhos e novos problemas. Sofremos com a falta de infraestrutura adequada, como no caso da malha viária ultrapassada, e grave impermeabilização do solo que acarreta feição urbanística de fazer inveja aos filmes de ficção científica. Se não houver reação, também chegaremos no sesquicentenário de fundação sem novos espaços de lazer coletivo e com uma comunidade cada vez mais individualista.
Ainda podemos nos tornar um dos locais mais aprazíveis da urbe. Para isso basta que pensemos o que pode causar nossa leniência quanto a sanha inesgotável das construtoras, regadas por único ideal: o vil metal. Mesmo com pavor sobre o que pode acontecer ao bairro, o fato é que o amamos. É nossa terra. É onde nascemos, vivemos e muito de nós morreremos. É também com orgulho que declaramos sou vilaprudentino.
Parabéns Vila Prudente pelos seus 135 anos.


