Segunda-feira, 02 de Março de 2026
Elisabete Sato assume 5ª Seccional e foca os crimes contra patrimônios

Nome de destaque na Polícia Civil, Elisabete Ferreira Sato Lei, 54 anos, é a nova delegada titular da 5ª Seccional – Leste, responsável pelos distritos policiais do Tatuapé, Vila Prudente e Mooca, além da Água Rasa, Vila Formosa e Penha. Há 35 anos na polícia, traz no currículo a menção de ter sido a primeira mulher a assumir a chefia da Divisão de Homicídios do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Foi sua equipe que localizou o corpo da advogada Mércia Nakashima – afundado junto com o carro na represa de Nazaré Paulista. Antes disso, quando era titular da 4ª Seccional – Norte, atuou na prisão do casal Nardoni, no caso da menina Isabella. Mas, durante entrevista à reportagem da Folha, frisou que as ‘ocorrências midiáticas’ nem sempre são as mais complicadas ou representativas sob a ótica da polícia.
Nascida no bairro de Cangaíba, também na Zona Leste, e atualmente morando no Tatuapé, destacou o alto índice de roubos e furtos de veículos como um dos desafios à frente da 5ª Seccional, que assumiu no final de janeiro. “O que nós detectamos foi um número considerável de crimes contra o patrimônio na modalidade furto/roubo de autos na região. Depois ‘furtos e roubos outros’, que já abrange comércio e residências. Aqui também existe muito estelionato”, comenta. “Já pedi para todos os delegados um diagnóstico dos crimes e as medidas que eles estão tomando para combater estas ações delituosas. Por exemplo, se no distrito onde eu sou titular o maior número é de roubo de autos, eu tenho que bater em cima desse crime”, avisa Elisabete.
A delegada de classe especial ressaltou a importância do registro do boletim de ocorrência. “A pessoa reclama que não tem policiamento naquela área, mas ela foi e cumpriu o seu papel de cidadã? Comunicou à polícia que naquela região, naquela rua, houve crime? Já que se eu reclamo, você reclama e outros reclamam, vai aparecer que a rua ‘x’ está com um problema em relação a furto de carros. Se ninguém registra, para nós vai constar no sistema que a via é tranqüila”, comenta.
Mesmo antes de assumir a Seccional, Elisabete Sato participou no ano passado, de um delicado caso na região: ajudou a desmantelar um grupo de extermínio que agia na zona do 21º Batalhão de Polícia Militar, contando a participação de PMs, e que foi responsabilizado por cerca de 15 mortes entre janeiro e abril. “Acompanhei esse caso na época em que chefiei o DHPP. Havia mesmo um grupo, mas eles foram identificados e presos. Tinham vários policiais militares da região envolvidos, com o mesmo ‘modus operandi’, e acabaram detidos pelo DHPP”, conta.
A delegada, que trouxe parte da sua equipe no DHPP para a Seccional, quer combater também os crimes praticados pela gangue Mooca Chapa Quente, especializada em invadir residências de descendentes de orientais, sempre de forma violenta. “Já me foram passados estes casos. Tenho um centro de inteligência policial, que estamos reativando. Trouxe uma delegada da Homicídios, que trabalhava comigo, para chefiar este setor”.
Para finalizar, Elisabete Sato frisou sua meta à frente do cargo e sobre possíveis mudanças de policiais nos distritos da região. “Já comecei este remanejamento. Queremos valorizar a investigação criminal e valorizar o atendimento de plantão. Quero que a 5ª Seccional seja excelência neste atendimento. Mas só isso não basta. Tem que ter prisão. Tem que ter investigação. Quero planejamento estratégico para a atuação. Ninguém veio aqui para brincar de ser polícia. Nós estamos aqui para trabalhar. Então, quem não estiver de acordo com a filosofia de trabalho dessa Seccional, está convidado a sair fora”. O aviso está dado.


