Escola estadual MMDC está novamente sem professores

mmdcDecorrido um mês do retorno das férias, estudantes da escola estadual MMDC, na rua Cuiabá, na Mooca, afirmam que ainda não tiveram aulas de matemática e que as de inglês são ministradas esporadicamente. É a lamentável repetição do problema denunciado pela Folha no primeiro semestre do ano, quando os alunos também somaram sucessivas aulas vagas pela ausência de educadores para disciplinas de matemática, geografia e inglês.

 Naquela ocasião, somente na primeira quinzena de junho, a Secretaria de Estado da Educação confirmou que novos professores já estavam na unidade. Houve garantia ainda de reposição do conteúdo perdido, o que é contestado por especialistas. “Não tem como recuperar a carga horária de maneira satisfatória”, defende o coordenador de projetos da ONG Ação Educativa, o advogado Salomão Ximenes, que nesta semana recolheu exemplares de todas as matérias publicadas pela Folha sobre a MMDC. “Vamos tentar intervir junto à Secretaria e se for necessário, também agiremos judicialmente”, afirma.

Mesmo com a falta de aulas no primeiro semestre, alunos da MMDC contaram à reportagem da Folha que entraram de férias normalmente durante o mês de julho e que sequer foi iniciada a reposição do conteúdo perdido. A surpresa maior foi quando se depararam novamente com a ausência de professores. A turma da aluna L.M.R.M, do 2º ano do Ensino Médio, não viu o professor de matemática desde o retorno das férias. “Ainda não tivemos essa aula. Chegaram a colocar um professor eventual, mas ele ficou apenas sentado, não passou qualquer conteúdo. Estou preocupada com a situação, o próximo ano será bastante importante, pois prestarei ENEM e vestibular, mas, desta forma, não estarei preparada”, afirma. 

A disciplina de inglês é outra com falhas na carga horária, segundo os alunos. “Era para eu ter aulas de inglês toda semana, mas tive apenas uma ao longo deste mês. Ficamos no pátio sem fazer nada”, conta outra aluna do 2º ano.  Os estudantes afirmam ainda que as cinco aulas diárias não são respeitadas há meses. “Nunca temos todas as aulas. São apenas três ou quatro todos os dias. Sempre saímos mais cedo”, conta L.M.R.M.O que preocupa ainda mais as mães dos alunos é a falta de um posicionamento por parte da diretoria da unidade quanto à reposição das aulas perdidas. “Não disseram nada sobre a reposição. Sentimos que estão empurrando com a barriga para ver se esquecemos. Se esses alunos não receberem o conteúdo perdido, serão muito prejudicados mais para frente. Isso é um desrespeito do Estado”, declara a mãe de uma aluna do 2º ano. “Peço que nos ajudem a garantir o direito de quem não tem dinheiro para estudar em um colégio particular”.

Questionada mais uma vez pela reportagem, a Secretaria da Educação do Estado informou que “em decorrência de licenças de dois professores, as aulas de matemática e inglês estão em processo de atribuição”. Ao contrário do que declararam os alunos, a nota diz que “as disciplinas estão sendo ministradas por professores eventuais”. Sem fazer menção à carga horária não cumprida no primeiro semestre, o órgão finaliza afirmando que “as aulas previstas e não dadas serão devidamente repostas de acordo com o calendário escolar”. A Secretaria informou ainda que nomeou 9.304 docentes para aumentar o número de profissionais efetivos na rede e anunciou a contratação de mais 25 mil professores para ingressarem em 2012.

Ação Educativa

O representante da ONG Ação Educativa, Salomão Ximenes, afirma que o problema de falta de professores na rede estadual é crônico e não é uma exclusividade da MMDC, mas ficou preocupado com a gravidade da situação na escola da Mooca. “Apesar de ser o estado mais rico do país, São Paulo é o que tem menos professores efetivos, apenas 60%. Enquanto o índice preconizado pelo Ministério da Educação é 90%”, destaca o advogado. 

Sobre o caso específico da MMDC, Ximenes pretende cobrar um posicionamento da Secretaria de Educação, principalmente sobre o plano de reposição das aulas perdidas. “Vamos dar um prazo para a manifestação e se não ocorrer de forma satisfatória, vamos recorrer ao Ministério Público”, comenta.

Quem quiser saber mais sobre o trabalha da ONG que já soma 15 anos de atuação no direito à educação pode acessar o site www.acaoeducativa.org.