Terça-feira, 03 de Março de 2026
Família suspeita de negligência do hospital de Vila Alpina para descobrir câncer que matou mulher

A dona de casa Silmara Garcia Pagano, de 40 anos, faleceu no último dia 20 de outubro no hospital Pérola Byington, na região central, por causa de um câncer de útero que se espalhou pelo corpo. Silmara, que deixou três filhos com idades entre 9 e 15 anos, teve a doença diagnosticada apenas um mês antes de sua morte, já em estágio avançado. Moradora da Vila Prudente, Silmara teria recorrido ao hospital estadual de Vila Alpina quando começou a sentir as primeiras dores em fevereiro, no entanto, segundo sua família, a unidade não deu a devida atenção ao caso e se limitava a receitar medicamentos. Ainda de acordo com a família, o exame que detectou o câncer só foi feito em setembro quando uma amiga de Silmara, que a acompanhava, se recusou a deixar o hospital enquanto o motivo das fortes dores não fosse investigado.
“Ela passou sete vezes pelo hospital com dores na coluna. Simplesmente a medicavam para aliviar a dor e era liberada na sequência. Nunca fizeram nenhum tipo de exame para saber a origem do problema”, comenta a mãe de Silmara, Elza Tavares Garcia. “Somente no dia 11 de setembro o câncer foi descoberto pela equipe do Vila Alpina e isso só aconteceu porque a vizinha dela bateu o pé e falou que não saía do hospital sem um diagnóstico. Foi quando o clínico geral fez exames e detectou que ela tinha câncer no útero”.
Com o diagnóstico da doença, a família correu atrás do tratamento. “Logo que soubemos do câncer, corremos atrás de conhecidos e conseguimos interná-la no Pérola Byington. Mas, antes mesmo de começar a quimioterapia, os exames apontaram que o câncer no útero já estava em estágio avançado e que a doença havia atingido também a coluna cervical e a medula óssea. Ela ficou internada, mas não resistiu. Se tivessem diagnosticado o problema antes, quem sabe ela estaria viva… Foi um caso de total negligência do hospital de Vila Alpina”, acredita a mãe da vítima.
Para aumentar a dor da perda, a família também sofreu com a morte do pai de Silmara, exatamente no mesmo dia do falecimento da filha. “Meu marido também teve câncer, mas estava se tratando. Os dois ficaram internados ao mesmo tempo, em hospitais diferentes, e se falavam pelo telefone. Só que quis o destino que pai e filha morressem no mesmo dia, em um intervalo de poucas horas”, lamenta Elza.
A reportagem questionou a Secretaria de Estado da Saúde sobre o caso e recebeu como resposta a seguinte nota: “A direção do Hospital Geral de Vila Alpina esclarece que a paciente Silmara Garcia Pagano recebeu atendimento adequado entre os meses de maio e julho deste ano, em todas as ocasiões em que passou pela unidade com queixas diversas. Diferentemente do relatado, todos os exames necessários e condutas terapêuticas indicadas para estabilização do quadro clínico e alívio da dor foram adotadas, segundo os protocolos clínicos definidos pelo hospital.
Em agosto deste ano, a paciente foi diagnosticada, pela própria equipe de ginecologia do hospital, com câncer em estágio já avançado. Na ocasião, ela foi encaminhada para outra unidade, especializada em oncologia, para que fosse realizado o tratamento de que ela necessitava. Mas é preciso deixar claro que o caso era extremamente grave”.
Apesar das diferenças de datas relatadas pela família da paciente e pelo hospital, a Secretaria não informou se será aberto algum tipo de sindicância para investigar o caso.


