Familiares e amigos de jovem assassinado lançam Movimento Thiago Vivo

Na noite da sexta-feira passada, dia 10, foi celebrada na Paróquia Santo Emídio a missa de sétimo dia do economista Thiago de Osti Cardoso Lopes, morto aos 28 anos durante tentativa de assalto no último dia 2, em frente à casa onde atoresidia na rua César Cantu, na Vila Prudente. Após a celebração, familiares e amigos de Thiago fizeram um ato para pedir justiça e reivindicar mais segurança. O manifesto serviu também para lançar o Movimento Thiago Vivo, que visa unir mais pessoas em prol da causa.

Atendendo o pedido de familiares, a paróquia ficou lotada para a missa e com a maioria dos presentes vestidos de branco. Os pais, os dois irmãos mais novos e a noiva de Thiago, todos muito emocionados, ocuparam o banco da frente. A cerimônia contou com a presença de famílias de outras vítimas da violência urbana, entre eles, o casal Marisa Rita e José Valdir Deppman, pais do estudante Victor Hugo Deppman assassinado aos 19 anos em abril de 2013, também na porta do edifício onde residia no Belém; e a deputada federal Keiko Ota, mãe de Ives Ota, morto aos 8 anos em 1997. Um dos momentos mais emocionantes da celebração foi quando o padre Elcio Mota, que celebrou a missa, chamou todos os familiares para subirem no altar e rezarem o Pai Nosso de mãos dadas.

Na saída da missa todos se reuniram na escadaria da igreja com velas acesas e abriram uma faixa com a foto de Thiago e a pergunta: “Até quando vamos ter que morrer?”. Eles pedem penas mais rígidas para quem comete crimes contra a vida, além da redução da maioridade penal. Conforme informações divulgadas pela polícia nesta semana, o suspeito de matar Thiago deve ter em torno de 17 anos (leia mais abaixo), mesma idade que o assassino de Victor Hugo tinha na época do crime.

ato1A mãe de Thiago, Juraci de Osti, fez um discurso bastante emocionado durante a manifestação. “Agradeço as outras mães que vieram aqui me apoiar, acompanhei as mortes dos filhos delas pela imprensa. Eu também achava que isso não iria acontecer comigo e vi meu filho levar um tiro na minha frente. Ele entregou a chave do carro e mesmo assim morreu. O Thiago era um moço tranquilo, que nunca brigou nem na época da escola”, contou chorando. “Precisamos mudar essas leis. Até agora, minha família não foi procurada pelos Direitos Humanos. O Thiago era gerente de uma multinacional porque se esforçou, trabalhou muito desde cedo, os outros podem trabalhar também. Não adianta falar que é criança se pode matar”, desabafou.

Marisa Deppman, que criou a campanha “Se o crime não tem idade, por que a punição teria?”, ressaltou que os menores estão cada vez mais violentos porque sabem que vão apenas “passar férias” na Fundação Casa, antiga Febem. “O menor que tirou a vida do meu filho já deve estar solto pelas ruas”. A deputada Keiko Ota ressaltou que, para conseguir mudanças na legislação penal, a população tem que se unir. “Tem que sair às ruas, tem que cobrar, fazer muita pressão, caso contrário, as propostas não avançam em Brasília”, ressaltou.

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