Segunda-feira, 02 de Março de 2026
Construção do piscinão avança e árvores são cortadas

A obra de construção do piscinão na área do Centro Esportivo (CE) Arthur Friedenreich, na Vila Prudente, começou no final do ano passado. Na primeira etapa, os trabalhos ficaram concentrados onde existia um dos campos de futebol do clube, na esquina da avenida Jacinto Menezes Palhares com a rua João Pedro Lecór. Agora, a obra está avançando para a outra ponta, no sentido da avenida Anhaia Mello, abrangendo mais um trecho onde o clube é bastante arborizado.
Causou muita indignação nesta semana, a morte de uma enorme seringueira que, segundo os frequentadores, estava no clube há mais de 60 anos. Apesar do espaço estar cercado por tapumes, a Folha conseguiu flagrar a árvore sendo removida. Foi necessário usar um trator escavadeira por causa da dimensão da espécie. Em outros pontos do centro esportivo o som de motosserras também foi constante e formavam-se montes de árvores derrubadas.
Na primeira fase da obra a devastação do verde foi grande. Não restaram sequer as árvores que existiam na calçada, fora da área do centro esportivo. Na ocasião do início dos trabalhos, em novembro, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) esteve presente e não soube informar sobre a compensação ambiental quando perguntado pela Folha. Nesta semana, após novos questionamentos, a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente afirmou que o projeto foi revisto e reduziu a quantidade de árvores a serem removidas.
Compensação
O Termo de Compromisso Ambiental (TCA), número 431/2024, firmado pela Secretaria para a obra do piscinão prevê o manejo de 295 árvores, incluindo três espécies mortas. Em nota foi afirmado que “como compensação, estão previstos o plantio de 256 mudas com DAP (Diâmetro à Altura do Peito) de 3 cm no próprio empreendimento, 121 mudas em praças próximas e a conversão de 20 mudas em recursos ao Fundo Especial do Meio Ambiente”.
Ainda segundo a Secretaria, com o Plano de Proteção de Espécies Arbóreas (PPEA), desenvolvido pela SPObras, foi possível reduzir em 65,4% a quantidade de árvores a serem suprimidas, de 295 para 102. O número de exemplares preservados aumentou de 23 para 126, e o transplante de 80 árvores foi incluído no planejamento. Foi garantido ainda que a compensação “leva em conta critérios técnicos como porte, espécie e estado de conservação de cada árvore”.
Morador da Vila Ema, o ambientalista Fernando Salvio, acompanha atentamente o andamento dos trabalhos. “É difícil de aceitar o que aconteceu no início da obra, quando arrancaram todas as árvores. Acredito que isso ainda deva ser apurado. Parece que agora estão sendo mais conscientes e, pelo que entendi, as árvores da calçada lateral devem ser preservadas. Mas, por que não tiveram esse cuidado antes?”, questiona. “É importante manter o máximo possível das espécies grandes, porque, futuramente, em cima do piscinão só poderão colocar arbustos, cujas raízes não vão atingir a laje. De qualquer forma o prejuízo ambiental no local foi grande. Escolheram uma área que já era permeável para fazer o reservatório só para não desapropriar outro local”, conclui. (Kátia Leite)



