Incêndio destrói favela na Vila Prudente

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O inverno seco em São Paulo que vem facilitando ocorrências de fogo em favelas da cidade fez mais uma vítima no final da tarde desta quinta-feira, dia 23. Desta vez, na Vila Prudente. Por volta das 17h30, labaredas e uma densa cortina de fumaça eram avistadas no bairro. O incêndio de grandes proporções atingiu a favela instalada irregularmente nos baixos do viaduto Pacheco e Chaves, na Vila Prudentep. A dificuldade dos bombeiros para controlar as chamas pode ser medida pelo número de viaturas enviadas ao local: em poucos minutos passaram de 6 para 23. Cerca de 70 homens da corporação ainda permaneciam no local por volta das 19h. Eles contaram com o apoio de aproximadamente 35 policiais militares. Não houve informação de feridos. Segundo os bombeiros, de 150 moradias, 95 foram destruídas. Líderes comunitários estimam que cerca de 600 pessoas ficaram desabrigadas.

As causas do incêndio ainda eram desconhecidas até o fechamento desta matéria, mas de acordo com o Corpo de Bombeiros, a baixa umidade do ar na cidade colaborou para a rápida proliferação do fogo. “O tempo seco faz com que as labaredas se alastrem e dificulta ainda mais o combate ao fogo”, informou o major do 1º Grupamento de Bombeiros, Valdir Pavão, que comandou a ação. São Paulo completa hoje 36 dias sem chuva. Na semana passada também foram registrados incêndios em comunidades nas zonas Oeste e Sul da cidade.

Segundo o major, a favela na Vila Prudente ocupava uma área de 2.800 metros quadrados, mas apenas 400 puderam ser preservados. “Demoramos cerca de 40 minutos para controlar o fogo”, comentou Pavão.

fogo1Enquanto as chamas se alastravam, os moradores acompanhavam a tragédia desesperados. “Perdi praticamente tudo, meus documentos, móveis… Consegui salvar apenas um aparelho de som e a minha geladeira”, contou o morador da comunidade Danilo Santos. Quem também estava aflita era a empregada doméstica Maria de Lourdes, que reside na favela há cinco anos. “Cheguei do trabalho e fui pega de surpresa. Não consegui chegar perto da minha casa para tentar salvar alguma coisa. Provavelmente perdi tudo. Estou preocupada porque ainda não achei meu cachorro”, contou.

Lideranças locais improvisaram a quadra de uma escola de samba também instalada nos baixos do viaduto, para receber os utensílios salvos do incêndio. “Moro aqui há 12 anos e nunca vi nada igual. Minha moradia não foi afetada, mas muita gente perdeu tudo. Quase 90% da comunidade foi destruída”, afirmou o líder comunitário Reginaldo de Souza.

fogo4Por medida de segurança por causa da intensa fumaça, o tráfego no viaduto, na rua Capitão Pacheco e Chaves e também na avenida Henry Ford foi interrompido pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Até às 21h as vias continuavam bloqueadas sem previsão de liberação. Apesar da ocorrência bem próxima à estação de trem Ipiranga, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) informou que a circulação da Linha 10 não foi interrompida.

A Prefeitura iniciou ainda na noite desta quinta o cadastro das famílias atingidas, mas os números oficiais devem ser divulgados apenas amanhã. Não foi aberto um abrigo para receber as famílias desabrigadas. A assessoria de imprensa da Subprefeitura de Vila Prudente informou que aqueles que não tivessem um lugar para passar a noite poderiam recorrer aos dois albergues existentes na região.

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