Metrô e CET não cumprem prazos para liberar trechos interditados para obras do monotrilho

interd1Em 23 de novembro de 2009, o então governador José Serra (PSDB) anunciou em uma solenidade no Parque São Lucas, o início das obras do monotrilho na avenida Anhaia Mello – inicialmente como prolongamento da Linha 2-Verde do metrô convencional, mas, que desde o ano passado, é chamado de Linha 15 – Prata. Na ocasião, a promessa é que a primeira etapa do transporte, com 2,4 km de extensão entre as estações Vila Prudente e Oratório, seria entregue em 2010. No entanto, assim como atrasou e muito a data prevista para a inauguração do trecho inicial, a Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) também não estão cumprindo os prazos anunciados para liberação das interdições viárias feitas na região ao longo dos últimos anos. Para piorar, novos bloqueios vêm ocorrendo sucessivamente, afunilando cada vez mais as opções dos motoristas que trafegam pela região.

Um exemplo é a alça de retorno da Anhaia Mello, sob o viaduto que integra o Complexo Viário Senador Emygdio Filho, na altura da avenida Salim Farah Maluf. O retorno foi fechado em setembro de 2010 com promessa de liberação em sete meses. O ano de 2011 inteiro se passou sem que o trecho fosse reaberto. Em março de 2012, a Folha fez matéria alertando o Metrô e a CET para a situação. O órgão de trânsito alegou que o ponto ficaria fechado por mais dez meses, ou seja, novembro de 2012 – o que também não foi cumprido.

Para suprir a alça interditada, a CET criou uma opção de retorno junto ao canteiro central, na altura da avenida Jacinto Menezes Palhares. Mas, se o motorista passar deste ponto, é obrigado a permanecer na congestionada Anhaia Mello para cruzar apenas pela rua Américo Vespucci – se não tiver chovido e o cruzamento estar interditado por conta dos semáforos pifados. Outra opção é voltar pela também congestionada avenida Vila Ema.

Outro grave problema é o bloqueio do cruzamento da rua Dr. Roberto Feijó. Em fevereiro de 2012 ocorreu a interdição, mas, como opção aos motoristas foi aberto outro cruzamento na rua Virgílio, que apesar de ser mais estreita, conseguia atender a demanda de veículos que seguiam da Vila Zelina sentido Vila Prudente. A promessa inicial era que a Dr. Roberto Feijó também ficaria fechada por sete meses. No entanto, em novembro de 2012, sem que a Dr. Roberto Feijó fosse reaberta e sem qualquer justificativa do Metrô para o atraso, a CET bloqueou também a rua Vírgilio com previsão de permanecer assim por apenas 60 dias. Porém, as férias escolares começaram e terminaram, a segunda quinzena de março já chegou e nenhum prazo foi respeitado: os locais permanecem interditados.

O resultado do bloqueio simultâneo das duas vias são os longos congestionamentos nas ruas Ibitirama e Maria Daffré, as opções que restaram para cruzar a Anhaia Mello, além do caos se estender pela avenida Zelina e rua José dos Reis. Para completar, há duas semanas, a CET estreitou a rua Ibitirama, entre a Anhaia Melo e a rua Cavour.

Nos últimos três anos a Anhaia Mello também perdeu faixas de rolamento junto ao canteiro central para os trabalhos de execução das fundações e pilares do elevado, o que deixa a avenida parada até mesmo aos domingos.

A situação gera transtornos diários para todos os motoristas, em especial os taxistas, que chegam a perder clientes. “Você não tem opção de fuga, todas as vias ficam paradas. Somos obrigados a dispensar clientes porque preferimos não cruzar a Anhaia Mello, não dá, não tem como. Para cruzar a avenida você tem poucas opções e todas congestionadas. Muitos clientes também reclamam do trânsito. Estou há 42 anos aqui e está é a época mais caótica com toda certeza”, comenta o taxista Joaquim Gonçalves, que trabalha no ponto do Largo da Vila Prudente.

A reclamação é a mesma entre os taxistas que atendem os clientes no Largo da Vila Zelina. “Com as interdições, a CET deixou apenas duas opções para atravessarmos a Anhaia Mello: a Ibitirama e Maria Daffré. Então, por qualquer via que você ande, tem que acabar em uma dessas ruas, o que deixa a região inteira congestionada. Na parte da manhã, a fila de carros na avenida Zelina vai do hospital de Vila Alpina à rua Ibitirama. Quando chove e os semáforos apagam então, vira um caos. Os clientes também são prejudicados já que por conta do trânsito a viagem fica mais cara”, ressalta o taxista Sergio Thomé.

A Folha questionou o Metrô e a CET sobre os prazos não cumpridos e também cobrou quando os trechos citados acima serão liberados, mas, nenhum dos órgãos respondeu.