Segunda-feira, 02 de Março de 2026
Monotrilho: fechado aos passageiros 19 horas por dia há quase um ano
Questionada pela Folha sobre a prometida expansão do horário de funcionamento da Linha 15- Prata do monotrilho, no trecho de menos de três quilômetros entre as estações Vila Prudente e Oratório, a Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô respondeu, mais uma vez, que a ampliação “está prevista para o final do mês de junho”. A reportagem contestou que junho termina na próxima terça-feira, dia 30, e mesmo assim, o Metrô não informou a data.
A história se repete desde o final de março, quando o novo secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, declarou que o trecho teria o funcionamento ampliado para 12 horas diárias, das 7 às 19h, no fim de abril, quando também seria iniciada a cobrança de tarifa. Mas, o monotrilho continua operando apenas cinco horas por dia, das 9 às 14h.
Aberto ao público em agosto do ano passado, o transporte permanece bastante ocioso. Os trens que saem das estações com intervalos médios de 10 minutos, circulam praticamente vazios. A Folha questionou qual o custo para manter as estações abertas por tantos meses sem a cobrança de tarifa e também não obteve resposta.
Segundo o Metrô, a ampliação do horário ainda depende da conclusão dos testes de comissionamento e ajustes dos sistemas de sinalização de via e dos trens, fornecidos pela Bombardier. Foi informado ainda que a instalação do sistema de alimentação elétrica, de responsabilidade da Siemens e da MPE, também sofreu atraso em relação ao cronograma inicialmente proposto. Mas, de acordo com o Metrô, estas questões já não afetam a ampliação de horário e as empresas foram notificadas “pelo descumprimento dos cronogramas de trabalho, que ocasionam ou ocasionaram o prolongamento da fase de testes”. Por fim, o Metrô alegou que a duração do período de testes é proporcional ao ineditismo do novo sistema de transporte e das novas tecnologias empregadas.
CPI na Câmara pode investigar atraso em obras
A vereadora Juliana Cardoso, líder do PT na Câmara Municipal, protocolou requerimento no último dia 18 solicitando a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os contratos e aditamentos das licitações para a construção das duas linhas de monotrilhos na cidade. As principais justificativas apresentadas no requerimento, que recebeu 22 assinaturas, são o demasiado atraso e o atual abandono das obras, além do alto custo da Linha 15-Prata entre as estações Oratório e Cidade Tiradentes.
Ao lançar os processos de licitação em agosto de 2009 o governador José Serra estabeleceu prazo de cinco anos para entrega dos 100 quilômetros iniciais de monotrilho. A licitação da Linha Prata tinha custo de R$ 2,9 bilhões, mas, segundo o documento protocolado, dados atuais mostram que já ultrapassam R$ 6,4 bilhões.
“Até o momento foram entregues pouco mais de dois quilômetros e há quase um ano a parte entre as estações Oratório e Vila Prudente continua em fase de testes, com trenzinhos vazios de ida e volta”, afirmou a vereadora. “Vale lembrar que na época, os principais argumentos do Governo do Estado para optar pelo modal monotrilho, em vez do metrô, eram o baixo custo e a rapidez nas obras, mas não é o que está ocorrendo”.


