Terça-feira, 03 de Março de 2026
Moradores lutam para manter área verde vendida pelo INSS
Em agosto de 2010, a Folha trouxe matéria relatando a situação do terreno de 4.592,33 m², situado entre as ruas Benedito Maria Cardoso e Jerônimo de Mendonça, na Mooca, que virou motivo de disputa entre a comunidade e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A área, que abriga grande variedade de árvores, pertencia ao órgão do Governo Federal, mas é utilizada desde 1949 pelos moradores dos condomínios vizinhos como um parque de esportes e lazer. Segundo a população local, o espaço foi declarado de utilidade pública pela Prefeitura há 23 anos, mesmo assim, acabou leiloado pelo INSS por R$ 3,6 milhões. Desde então a vizinhança trava árdua batalha para manter o terreno.
“Este Projeto de Lei saiu no Diário Oficial de 6 de outubro de 1988. A partir daí a associação dos moradores dos condomínios vizinhos ficou responsável pela área, que é bastante utilizada. Meus filhos e meus netos já brincaram nesse terreno. Comenta-se aqui no bairro que até o ex-governador José Serra brincou ali. Quando ficamos sabendo do leilão, começamos a fazer um abaixo-assinado e o entregamos à Promotoria de Justiça do Meio Ambiente. Também foi feito um levantamento de quanto já foi gasto pela vizinhança, que contribui mensalmente para a manutenção do terreno, e os números giram em torno de R$ 1 milhão”, explicou na época o síndico de um condomínio próximo, Galdoz Francisco Pablos.
Entretanto, o comprador do imóvel, 11 meses depois da venda do mesmo, ainda não apareceu no local. “Não tem cabimento construírem algo nesse espaço, que é de muita utilidade para a vizinhança. Porém, até agora, o vencedor do leilão não deu ‘as caras’ por aqui. Não procurou a comunidade e nem anunciou o que pretende fazer com a área. Estamos lutando para preservar o parque”, explica a moradora Dirce Ghilardi, que auxilia na preservação do terreno.
Há cerca de dois meses, a luta da população ganhou o reforço do vereador Adilson Amadeu (PTB), que acionou o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) e o Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), ligados à Secretaria Municipal de Cultura, solicitando o tombamento da área. “Entrei com a solicitação e está previsto, para a primeira quinzena de agosto, uma visita ao espaço feita por uma comissão, na qual estarei presente, representando a Câmara Municipal. Os moradores me procuraram e vou fazer de tudo para manter esse terreno do jeito que está”, comenta o vereador.
Amadeu ainda explicou que enquanto o pedido de tombamento não for julgado, a área tem que ser preservada. “Quem comprou o imóvel ainda não apareceu para se pronunciar. Mas uma coisa é certa: durante o processo na Secretaria, o proprietário não pode mexer no terreno, no máximo vendê-lo. Agora, construir não é permitido”, completou o vereador.



