Segunda-feira, 02 de Março de 2026
Nova ciclovia do Jardim Independência entrou em vigor nesta semana
Em implantação desde o início de novembro, a ciclovia de cerca de 1,9 quilometro que passa por vias do Jardim Independência entrou em vigor na terça-feira, dia 9. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), para a criação desse novo trecho de faixas exclusivas para ciclistas foram usadas aproximadamente 4.500 m² de sinalização horizontal, 700 prismas e 120 placas.
A ciclovia começa na faixa da direita, sentido bairro, na esquina da avenida Alberto Ramos com a rua Susana, passando por casas, um condomínio de prédios residenciais e indústrias da avenida até chegar na praça São Pedro Apóstolo, onde continua pela rua Planalto da Conquista, proibindo o estacionamento de carros de autoescolas, que levam seus alunos para a realização da prova prática do Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN) no local.
A faixa exclusiva segue virando à esquerda na rua Segismund Domingues, onde entra à direita na rua Secundino Domingues, que também conta com casas, indústrias, comércios, um prédio residencial e uma escola estadual. A pista à direita da Secundino continua até o cruzamento com a rua Artia, de onde desce até a esquina da rua Susana. Este trecho também tem residências e estabelecimentos comerciais. Do local a pista segue contornando a praça Maurício Domingues até entrar na rua Ipuiuna e virar a direita na rua Brumado de Minas, de onde é possível acessar a ciclovia já existente desde agosto na avenida Jacinto Menezes Palhares.
De acordo com a CET, com este novo trecho de faixa exclusiva para ciclistas, São Paulo conta agora com 202,6 quilômetros de ciclovias. A meta da Prefeitura é que até o final de 2015 este número chegue a 400 quilômetros.
Irregularidades
Durante toda a semana, apesar das placas de proibição de parada e estacionamento instaladas e das faixas de aviso sobre a nova ciclovia, diversos motoristas de carros e caminhões ignoraram a sinalização e cometeram infração de trânsito ao estacionar sobre a faixa exclusiva de ciclistas.
A reportagem da Folha flagrou na manhã da última terça-feira, pelo menos, quatro caminhões parados em cima da ciclovia na rua Artia. Outros veículos também foram flagrados cometendo irregularidades por todo o percurso da faixa exclusiva.
Mas o desrespeito às regras de trânsito também foi visível fora da ciclovia. Na rua Segismund Domingues, com a faixa exclusiva na pista sentido bairro, e por a via ser estreita, a CET proibiu a parada e o estacionamento na faixa sentido Centro. Porém, carros de autoescolas e de funcionários de empresas próximas permaneciam parados no local durante o período da manhã por toda a semana. Já na rua Secundino Domingues, automóveis de clientes de uma oficina localizada no trecho onde há ciclovia, ficavam parados no ‘meio’ da via, criando uma espécie de fila-dupla no local.
Apenas na tarde de segunda-feira e na manhã de terça-feira a reportagem avistou agentes da CET circulando pela ciclovia. No restante da semana nenhuma viatura da Companhia foi vista.
Lombada sem sinalização
Com a criação da ciclovia, a Subprefeitura de Vila Prudente construiu uma nova lombada na rua Artia, nas proximidades com a rua Marcelo Muller. Entretanto, até o início da manhã de ontem, o obstáculo ainda não havia recebido a pintura das faixas de sinalização, nem placas de alerta, serviços de responsabilidade da CET. A reportagem questionou o órgão, mas não obteve resposta.
Moradores questionam a necessidade da faixa exclusiva
A implantação da ciclovia irritou alguns moradores e comerciantes do Jardim Independência. Eles alegam que o bairro tem pouco tráfego de veículos e que ciclistas nunca são vistos pelas vias. “Não tem cabimento. É só para somar números no projeto de ciclovias para a cidade. Moro aqui há 35 anos e nunca passei por perigo algum ao andar de bicicleta. As ruas são vazias, com pouca movimentação de veículos. Não dá para entender o objetivo. Parece que a intenção é apenas prejudicar moradores e comerciantes, que agora não podem parar o carro”, comenta a residente da rua Secundino Domingues, Claudia Martins Costa.
Já o morador da avenida Alberto Ramos, Jorge Lucas Nogueira, ressalta que o bairro não serve de rota para nenhum local de grande movimentação. “Vim morar no Jardim Independência há dois anos justamente por isso. É um lugar tranquilo, sem trânsito e com poucas empresas. Se a intenção é facilitar o acesso dos ciclistas ao transporte público ou a centros comerciais e de cultura, caberia muito mais uma ciclovia na avenida do Oratório, que circunda o Jardim Independência e faz ligação da Anhaia Mello com o Sapopemba. O bairro aqui não tem nada. A única desculpa seria a ligação com o monotrilho, mas ele ainda vai demorar para funcionar de verdade e, mesmo assim, a avenida do Oratório seria uma alternativa melhor”.
Os empresários do Jardim Independência também estão indignados com a ciclovia. “Não existe esse negócio de que a rua é pública e a Prefeitura pode fazer o que quiser. A Prefeitura representa os interesses dos moradores da cidade e uma ciclovia aqui não auxilia ninguém, pelo contrário. Como os moradores dos prédios vão receber visitas? Como as empresas, como a minha, vão descarregar e carregar sem passar pela ciclovia?”, indaga o dono de uma distribuidora de materiais de ferro na avenida Alberto Ramos, Sergio Leipok. (Rafael Gonçalo)


