Segunda-feira, 02 de Março de 2026
Pacientes esperam mais de cinco horas por atendimento em hospital infantil
A longa e desgastante espera por atendimento no principal hospital infantil da região, o Cândido Fontoura, na rua Siqueira Bueno, na Mooca, da rede estadual de saúde, tem revoltado os pais. O tempo médio de espera passa de cinco horas devido à alta demanda e o baixo número de médicos para o atendimento. Segundo funcionários ouvidos pela Folha, recentemente, cerca de 15 médicos pediram demissão alegando baixos salários. Na manhã da última terça-feira, dia 9, quando a reportagem esteve na unidade, apenas dois pediatras atendiam os pacientes que se aglomeravam na sala de espera.
O pintor Devanir Celestino dos Santos, pai de uma menina de dois anos e meio, que há dias apresenta febre e tosse, chegou no hospital por volta das 8h e quatro horas depois, sua filha ainda não havia sido atendida. “Quando preciso vir ao hospital com ela é um dia de trabalho perdido. Sei que demora bastante e tento vir preparado para esperar. É muita gente e pouco médico. Estou do lado de fora porque a aglomeração na sala de espera pode agravar o estado de saúde da minha filha. Isso é um desrespeito”, desabafou Santos no saguão de entrada.
Quem também estava desesperada era a aposentada Alaíde Lima de Souza, que chegou às 11h no hospital com suas duas netas, uma de três e outra de um ano. “Assim que entrei para fazer a triagem, fui informada pelo funcionário que o tempo médio de espera é de cinco horas. Como vim de longe (São Mateus) vou ter que aguardar. Só Deus sabe o horário que conseguiremos sair daqui. Me assustei quando vi a quantidade de crianças na sala de espera, mas sairei daqui apenas quando um médico atender as duas”, afirmou Alaíde com indignação.
Funcionários do hospital contaram que o problema na demora de atendimento piorou em fevereiro, quando a Secretaria de Saúde do Estado implantou pontos eletrônicos para controle de frequência na unidade. “Os médicos se revoltaram e quase todos deixaram o hospital. Além dos baixos salários eles não aceitaram o controle do tempo de trabalho. Não aceitaram perder a liberdade”, comentou uma funcionária.
Secretaria Estadual de Saúde não vê problema
Questionado pela reportagem, o órgão esclareceu que “nenhum paciente espera cinco horas para ser atendido no pronto-socorro da unidade. A informação improcedente”. Afirmou que “o que pode ocorrer é o paciente precisar aguardar resultados de exames, além do período de observação médica e reavaliação clínica”. A pasta disse ainda que “os casos avaliados como urgentes recebem atendimento imediato e o hospital vem sofrendo uma superlotação atípica no pronto-atendimento. Em comparação com o mês de janeiro, em março houve um aumento de 82,5% na demanda da unidade. Em média, nos últimos 45 dias estão sendo realizados cerca de 500 atendimentos por dia”. O órgão salientou que 70% dos atendimentos realizados no pronto socorro da unidade são de casos de baixa complexidade, que poderiam ser atendimentos em postos de saúde municipais. Foi ressaltado que, neste momento, a unidade conta com cerca de 180 médicos em seu quadro de funcionários. Para ampliar o número de profissionais, o hospital tem aberto concursos públicos constantemente. Porém, o número de inscritos é aquém do necessário. A pasta informou ainda que a escassez de profissionais médicos na rede pública de saúde é uma realidade que afeta hospitais em todo o Brasil. Sobre os casos das irmãs Natasha e Nicole Gonçalves Pereira foram avaliados pela equipe médica do hospital como de baixa complexidade, podendo ser, portanto, casos atendidos em unidades básicas de saúde da região.


