PM inicia combate aos bailes funk em vias públicas

funkNesta semana a Polícia Militar informou que mapeou mais de 300 locais públicos da cidade, entre ruas, avenidas e praças, que são palco de bailes funk semanais. De acordo com a PM, o estudo foi realizado para tentar coibir as festas, que perturbam o sossego dos moradores, além de facilitarem o consumo de bebidas entre menores, o uso de drogas e outros crimes.

O mapeamento foi feito há cerca de um mês e vem ajudando a polícia a atuar nos locais antes da formação dos bailes, dispersando qualquer tipo de aglomeração. Segundo a PM, a corporação recebe mais de 3.500 denúncias diárias pelo 190 e grande parte delas são em decorrências das festas ao ar livre regadas ao som alto.

O prefeito Fernando Haddad (PT) disse que a Prefeitura irá trabalhar com as secretarias de Esporte e Cultura, para disponibilizar espaços públicos para a realização dos bailes. “Não vamos tratar desse assunto a partir de uma visão exclusivamente policial. Temos de dialogar com a juventude que está ansiosa por condições adequadas para que possa usufruir da cidade”, ressaltou Haddad.

Em uma destas ações da Polícia Militar para acabar com os chamados “batidões”, um ônibus foi incendiado no último domingo, dia 21, em um protesto realizados pelos frequentadores do baile que ocorria na rua Arbela, em Itaquera. De acordo com a vizinhança, os bailes aconteciam frequentemente aos domingos, atrapalhando o sono dos moradores e bloqueando o trânsito na via.

O 19º Batalhão de Polícia Militar, responsável pela segurança no distrito do Sapopemba, informou que já tem áreas mapeadas sob sua jurisdição e que no último mês vem intensificando o policiamento nas vias onde bailes funk são realizados.

Também questionado, o 21º Batalhão da PM, responsável pelos distritos de Vila Prudente, São Lucas e Mooca, informou que na sua área não foram encontrados pontos constantes de bailes funk.

Morte no Madalena

Um dos distritos onde os residentes sofrem bastante com o problema é o Sapopemba, onde em novembro de 2011, o motorista de ônibus Edmilson dos Reis Alves, de 59 anos, foi linchado até a morte por mais de 30 participantes de um baile funk na rua Torres Florêncio e Rielli, no Parque Santa Madalena.

Alves passou mal ao volante, perdeu o controle do coletivo e colidiu em alguns veículos estacionados na via por conta do baile que ocorria no local. Revoltados, dezenas de frequentadores da festa invadiram o ônibus e começaram a agredir o motorista, inclusive com um extintor de incêndio.

Na ocasião, os investigadores do 69º Distrito Policial – Teotônio Vilela, onde o caso foi registrado, encontraram três homens que assumiram participação nas agressões. O trio foi indiciado por homicídio qualificado. 

Câmara quer proibir a realização dos “batidões”

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação na última terça-feira, dia 23, Projeto de Lei (PL) dos vereadores Álvaro Camilo (PSD) e Conte Lopes (PT), coronel e capitão da PM, respectivamente, que proíbe a realização de bailes funk nas ruas da capital. O PL ainda tem que passar por segunda votação e ser sancionado pelo prefeito Fernando Haddad (PT) antes de virar lei.

De acordo com o texto, policiais militares da Operação Delegada seriam destinados também ao combate dos bailes funk e ao consumo de álcool nas lojas de conveniência dos postos de gasolina. A proibição prevista se estende aos espaços privados de livre acesso ao público, como postos de combustíveis e estacionamentos, que não tenham regularização, estrutura e autorização para este tipo de festa.

Se a lei entrar em vigor, quem descumprir a regra terá à apreensão imediata do equipamento de som e do veículo, quando o equipamento estiver instalado ou acoplado no porta-malas, ou sobre a carroceria, ou ainda quando estiver sendo rebocado pelo automóvel.