Segunda-feira, 02 de Março de 2026
Polícia detém três envolvidos na morte de estudante na Vila Prudente

Debruçados sobre o caso desde o último dia 8, ocasião em que o estudante universitário Carlos Eduardo de Souza Garcia, de 24 anos, após tentativa de roubo de um aparelho de MP3, foi friamente assassinado no quintal de sua residência na rua Xavier da Rocha, na Vila Prudente, policiais civis e militares conseguiram prender três dos quatro envolvidos no crime no início da tarde desta terça-feira, dia 15. Eles foram detidos em suas moradias, todas na própria região da Vila Prudente. O autor do disparo que matou Garcia é K.C.G.V., de 16 anos.
A ação dos bandidos foi filmada pelas câmeras de segurança da residência da vítima e mostram que, após a abordagem, K. já estava indo embora sem levar nada, quando resolveu voltar e alvejou o estudante na cabeça. Depois de assumir o crime, ele contou aos policiais o motivo banal que o fez atirar: Garcia teria batido o portão nele para impedir sua entrada.
Ele chegou a argumentar aos policiais que o “estudante bateu o portão na sua cara”. No momento de sua detenção, K. disse ainda que quando já estava na rua, Wellington Batista da Silva, de 20 anos, que também chegou a entrar na residência durante o crime, perguntou se ele não iria dar uns “pipocos” na vítima, então ele decidiu executar o estudante. A polícia suspeitava, baseada nas imagens, que o universitário não havia entrado em confronto com o infrator e já definia o crime como uma ação brutal.
Após as investigações da Polícia Civil e das informações obtidas pelo soldado PM Barreto, os investigadores, junto com Barreto, e com apoio dos soldados Nilton e Balbino, e o aspirante oficial Matsuoka, todos da 4ª Cia. do 21º Batalhão, surpreenderam K. em sua casa na rua Montojo. Ele confessou o crime na frente da avó, que acabou desmaiando e precisou ser levada ao hospital.
Apesar de o caso ter sido divulgado inicialmente como um trio, há um quarto envolvido que aparece poucas vezes nas imagens e fica do outro lado da rua, observando a movimentação. Ele é Diogo de Amorim Cruz, de 21 anos, que residia na rua Deodato Ferreira Leite, e igualmente assumiu a participação no assassinato. Antonio Charles Vieira, de 20 anos, morador da rua Giestas, que aparece nas gravações fumando no meio da rua, também foi detido. Nenhum deles possuí antecedentes criminais. A polícia está atrás agora de Wellington Batista da Silva, de 20 anos, que teria fugido para o interior do Estado.
Durante entrevista coletiva no 56º Distrito Policial, o titular Renato Marcos Porto e os delegados José Luis Reis Alexandre e Greice Gandolph, explicaram que os detidos irão responder pelo crime de latrocínio – roubo seguido de morte. “Todos serão acusados pelo assassinato, claro que cada um irá responder de acordo com a sua participação”, comentou Porto. O caso também será registrado como formação de quadrilha e corrupção de menor.
Cruz e Vieira vão ser transferidos para o Centro de Detenção Provisória do Belém, onde aguardarão pelo julgamento. K. foi encaminhado para a Fundação Casa (antiga Febem). A Polícia pede para quem tenha informações sobre o paradeiro de Wellington Batista da Silva, ligue para o disque-denúncia, pelo número 181.
O crime
Por volta das 20h do dia 8, Carlos Eduardo de Souza Garcia entrava a pé em casa, quando um dos quatro suspeitos, que andavam em duplas pela via, se aproxima e aponta o revólver para Garcia, ultrapassando na seqüência, o portão da moradia. Em seguida, outro envolvido também aparece no portão. As cenas do circuito de segurança da residência da vítima mostram ainda um dos criminosos cutucando Garcia com o cano da arma e depois, os dois assaltantes saem da casa. Instantes após, vem a parte mais chocante da gravação: o jovem armado volta e atira a queima-roupa contra a cabeça de Garcia, que ainda tentou se proteger abaixando no portão, mas acabou atingido.
Ainda durante a abordagem dos criminosos, o pai de Garcia viu o que estava ocorrendo pelo circuito de segurança e chegou a aparecer na janela de cima do sobrado, implorando que “levassem o que quisessem, mas que não machucassem seu filho”. Mas, enquanto descia as escadas, ele ouviu o barulho do tiro. Quando chegou ao quintal já encontrou Garcia no chão. O rapaz foi levado às pressas para o hospital São Cristóvão, na Mooca, mas não resistiu ao ferimento.
Garcia estudava Letras na universidade São Judas Tadeu, na Mooca.

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Assassinato de estudante choca a região
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