Pontos de ônibus da região expõem usuários ao sol e a chuva

ponto1É explícita a indignação da população com o atual sistema de transporte público na cidade, principalmente os ônibus, tanto que a onda de protestos que tomou conta do país recentemente foi impulsionada pelo aumento das tarifas, que acabou sendo revogado. Além da superlotação nos coletivos, atrasos e demora entre as viagens, o que revolta e muito os usuários é a falta de atenção com os pontos de ônibus. Na região, na maioria das paradas, os passageiros são obrigados a aguardar o transporte sob o sol e a chuva, gerando enorme desconforto. Embora em fevereiro deste ano a Prefeitura tenha iniciado a instalação de novos abrigos pela cidade, é difícil encontrar algum nos bairros locais.  

Alguns dos locais problemáticos são as paradas da rua Ibitirama, entre a avenida Anhaia Mello e o Largo de Vila Prudente. Apesar de bastante utilizados, principalmente após a desativação do Terminal de Ônibus da Vila Prudente, dois pontos da via estão esquecidos. Em dias de chuva os passageiros são obrigados a improvisarem locais para aguardarem os coletivos. “Quando chove fico do outro lado da rua, embaixo de um toldo do açougue. Assim que percebo que o ônibus está vindo, corro e atravesso a rua. Já cheguei a perder a condução porque não consegui atravessar a tempo”, contou o metalúrgico João Soares, que diariamente utiliza o ponto da rua Ibitirama, próximo à rua Indaiá.

pontoQuem também critica a ausência de cobertura nas paradas é a doméstica Suely Sanches. “Somos obrigados a ficar embaixo do sol porque não temos onde esperar o ônibus. Um dia passei mal por causa do forte calor”, declarou Suely, que semanalmente utiliza o ponto da rua Ibitirama, próximo ao Largo de Vila Prudente.

Outros locais problemáticos são a parada na altura do número 2.700 da avenida Sapopemba e as duas da rua Domingos Afonso, todas na Santa Clara. “Quando está sol temos que ficar embaixo das marquises das casas e quando chove ficamos do outro lado da rua. Quem sofre mais são os idosos que são obrigados a ficar sob o sol e a chuva porque não possuem agilidade para fazer a travessia da via com rapidez. Sem falar que os motoristas não esperam eles atravessarem para subir nos coletivos”, relata o usuário de ônibus Fábio Blasy.

Implantação

A empresa responsável pela instalação e manutenção dos abrigos de ônibus na cidade é a Ótima, que é uma sociedade entre a Odebrecht, a Rádio e Televisão Bandeirantes, a APMR Investimentos e Participações e a Kalítera Engenharia, que ganhou a concessão através de licitação. Segundo a Prefeitura, serão substituídos 6,5 mil abrigos de ônibus pela cidade – no prazo de três anos – além de instalação de outros um mil.  

A Folha entrou em contato com a São Paulo Transportes (SPTrans) e com a SPObras, órgão vinculado à Secretaria de Infraestrutura Urbana, para questionar quantos novos pontos serão implantados na razão e o período em que ocorrerão as substituições, mas, não obteve retorno até o fechamento da edição.