Prefeitura pretende contratar empresa de consultoria para operação urbana Mooca-Vila Carioca

linha-de-tremCom o objetivo de resgatar áreas degradadas da cidade, a Prefeitura anunciou no ano passado, os planos de operações urbanas que serão implantados por meio da iniciativa privada. Um desses projetos contempla 1.591 hectares na faixa que vai da Mooca até a Vila Carioca, margeando a linha férrea e que por conta da sua extensão, foi subdividido em três perímetros (veja mapa abaixo). Trata-se de um trecho realmente problemático com muitos espaços subutilizados, constituídos principalmente por antigos galpões, que já enfrentam ocupação irregular ou são alvos em potencial para tal prática. Outros aspectos negativos são o sistema deficitário de drenagem e a baixa densidade demográfica – na casa de 22 habitantes por hectares, enquanto a média nas regiões mais adensadas da cidade é de 200 habitantes.

Por tudo isso, a proposta da Prefeitura foi recebida com entusiasmo por lideranças locais que entendem que o trecho precisa de intervenção. Mas, o entusiasmo diminuiu quando a governo municipal publicou edital no último dia 8, através do qual pretende contratar uma empresa de consultoria para elaborar o projeto da chamada Operação Urbana Mooca-Vila Carioca. A vencedora deverá ser anunciada no dia 8 de agosto e terá sete meses para desenvolver o projeto.

“Pensei que a Prefeitura tivesse aprendido com o erro da operação Nova Luz. Lá também recorreram ao mesmomacena expediente de contratar uma empresa e o projeto está emperrado. Simplesmente não levaram em consideração, por exemplo, os comerciantes da Santa Ifigênia, que são referência não só em São Paulo, mas, em todo o Brasil. O governo recebeu um pacote fechado, que não representa os interesses de quem já mora ou trabalha naquela área”, comenta o vereador Chico Macena (PT), que integra a Comissão de Política de Urbana da Câmara Municipal e estava aguardando que a proposta da operação fosse encaminhada à Casa para discussão. “A Prefeitura decidiu adiar o envio à Câmara e abriu o editorial”, resume o vereador que não concorda com a medida. Ele deixou sua postura clara na visita que fez ao Círculo de Trabalhadores Cristãos de Vila Prudente na manhã da última terça-feira, dia 14.

“Minha preocupação é que na região ocorra exatamente o mesmo da Nova Luz. Que passados sete meses, a contratada venha com um projeto pronto, sem sequer consultar a comunidade. A população tem que participar da discussão e deixar claro quais são as prioridades da região”, destaca Macena. “Essa operação envolve muito dinheiro e é a chance de conseguirmos pleitear o parque no terreno da Esso e a reurbanização da favela de Vila Prudente (ambos ficam na área da operação). A Prefeitura vai ter verba para isso”, completa o vereador.
A proposta é que uma comissão seja constituída na região, especificamente para discutir a operação urbana, e posteriormente, seja convocada uma audiência pública com a presença dos secretários Marcos Cintra (Desenvolvimento Econômico e Trabalho) e Miguel Bucalem (Desenvolvimento Urbano), para exposição e reivindicação das propostas locais.

Preservação
Na ocasião da apresentação da operação, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano informou que o foco da operação no local é a reestruturação da área ao longo do eixo ferroviário com a superação da barreira ferroviária e com plano de reocupação equilibrada das áreas subutilizadas. O órgão também garante que todo o processo preservará a memória industrial da Mooca, já que o lugar conta com galpões tombados pelo patrimônio histórico.

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