Rede de cinema barra meia-entrada para professores da rede municipal

salaciA lei 14.729 promulgada em 30 de março de 2012, de autoria do deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL), garante aos professores da rede pública de ensino de São Paulo – estadual e municipal – o direito a 50% de desconto, a popular meia-entrada, em estabelecimentos que proporcionam lazer e entretenimento. No entanto, apesar da nova legislação estar publicada desde março em Diário Oficial do Estado, uma das maiores redes de cinema do país, a Cinemark, vem se negando a conceder o desconto para os profissionais do município. Os casos que chegaram à Folha aconteceram na loja Cinemark do Mooca Plaza Shopping.

“No dia 29 de abril fui com a minha filha assistir a sessão das 14h10 do filme ‘Espelho, espelho meu’ e a atendente do caixa alegou que desconhecia a lei. Insisti e pedi para falar com o gerente. Só depois de muito tempo apareceu uma mulher que não quis fornecer o nome completo para eu registrar um boletim de ocorrência na polícia”, conta a professora que pede para ser identificada como E.Z.. O marido dela registrou uma reclamação no SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) do Mooca Plaza Shopping e voltou no último domingo, dia 6, cobrando uma posição. “No Cinemark informaram que continuam barrando o desconto dos professores municipais, pois estão aguardando uma posição dos superiores. Meu marido mostrou a lei para eles. Imagina quantas pessoas não foram lesadas neste período?”, indaga a professora.

No último dia 1º, outra professora da rede municipal, que pede que o nome não seja publicado, foi com a família assistir a sessão das 17h30 do filme “Os Vingadores”, versão 3D, e também teve o desconto barrado. “Na Páscoa já havia acontecido a mesma coisa e imaginei que de lá para cá, tinham procurado se inteirar da lei”, reclama. “Já na rede UCI do Shopping Anália Franco não tive problema: apresentei o holerite e paguei meia”.

A lei estadual 14.729/12 altera dois artigos da lei 10.858 de 2001 e deixa claro que é válida também para professores da rede municipal. Para ter direito ao benefício o professor deve apresentar a carteira funcional emitida pela Secretaria da Educação ou o holerite.

A assessoria do deputado Carlos Gianazzi informou que já encaminhou ofício à central da Cinemark e também comunicou o Procon – SP, órgão de defesa do consumidor. Na tarde de ontem o deputado conversou com a Folha e ressaltou que desacatar uma lei é crime. “Se um professor levar o caso adiante e acionar a polícia, o gerente da loja pode ser processado e até preso”, afirmou. “É um absurdo que uma rede grande como esta não tenha conhecimento da lei”, completou.

Cobrada pela reportagem, a Cinemark pediu desculpas às clientes e ofereceu cortesias para elas retornarem em qualquer complexo da rede. No entanto, a resposta encaminhada pela assessoria de imprensa continua ignorando a nova legislação e cita apenas a lei de 2001, ressaltando que professores da rede estadual têm direito a meia-entrada. A nota menciona ainda que o treinamento dos funcionários será reforçado para evitar que a situação se repita.