Região coleciona alagamentos enquanto Prefeitura não se mexe

capa2Todo início e final de ano a história se repete: moradores e comerciantes da região sofrem com as chuvas. As enchentes na Vila Prudente e arredores são destaques na Folha desde as primeiras edições do jornal, em 1992. O mesmo não pode ser dito sobre as ações da Prefeitura para minimizar o problema, pois, na maioria das vezes, não passam de medidas paliativas de zeladoria, como a limpeza de bocas de lobos. Levantamento realizado pela reportagem, com matérias publicadas na última década, apontou que os alagamentos ganharam cada vez mais destaques por conta da assiduidade com que ocorrem neste período e a intensidade assustadora.


1409Na primeira semana da década passada, o jornal trazia na capa: “Vila Prudente começa 2000 debaixo d’água” e o morador da rua da Prece, Sérgio Pomitre, fazia a seguinte afirmação: “Nunca fizeram nada para acabar com o problema das cheias, que dura mais de 40 anos. A Prefeitura vem, faz as melhorias para o trânsito e piora a nossa situação”. Em resposta, o então administrador da regional, Carlos Alberto Borsato, já mencionava a ideia de instalação de três piscinões na Anhaia Mello.

Em 2001 a história não foi diferente. No final de janeiro, um morador da rua Limeira, indignado com a situação, estava de mudança apesar de residir há apenas 10 meses na via. “Vou para outra casa, aqui perdi móveis, freezer, mantimentos, roupas e fogão”, explicava o vigia Raimundo Sampaio de Souza.

Três anos depois, o caos continuava na região, de novo, no primeiro mês do ano. A chuva do dia 30 de janeiro, que durou cerca de uma hora e meia, foi equivalente ao esperado para uma semana inteira. Na rua Bento Sabino dos Reis, na região do São Lucas, dois veículos invadiram um imóvel. “Cheguei a ficar com a água na altura do pescoço”, relatou Cícera Aparecida da Silva, que, com a força da enxurrada, foi arremessada contra os móveis de sua casa.

Em 2006, outro tradicional ponto de alagamento ganhou destaque na Folha: o Largo de Vila Prudente, em especial a rua José Zappi. Bastaram poucos minutos de chuva para carros serem arrastados.

1875Em fevereiro de 2008 a região sofreu uma das piores enchentes da sua história. O rio Tamanduateí transbordou e invadiu pistas da avenida Doutor Francisco de Mesquita, chegando a alagar até o estacionamento do Central Plaza Shopping. Nos arredores da Favela de Vila Prudente, motoristas precisaram ser resgatados. “Não tinha como sair. Abandonei o carro e moradores da comunidade me ajudaram a retirar minha esposa. Logo depois perdemos o veículo de vista”, relatava um morador da Vila Mariana que estava de passagem pelo bairro, o contador João Marco. 

Nos três primeiros meses de 2009 as enchentes voltaram a atingir a Vila Prudente com violência, resultando inclusive na morte por parada cardíaca de um dos fundadores dos Brinquedos Bandeirantes, Ciro de Souza Nogueira, de 81 anos, no dia 17 de fevereiro. Ele começou a passar mal no carro, travado no trânsito e com a água subindo cada vez mais. “Trouxemos ele e o enfermeiro dele, que também estava no automóvel, para o meu bar. Mas a enxurrada começou a invadir aqui também. Levamos o senhor para o andar de cima, mas ele faleceu antes da chegada do Resgate”, contou na época a comerciante Maria das Graças Batista de Souza. Na capa desta edição, a manchete: “Enquanto a Prefeitura desenvolve projetos… Vila Prudente alaga pela quarta vez no ano”.

11A primeira matéria sobre alagamentos desta temporada de chuvas foi registrada já em novembro do ano passado. Neste início de 2011 a Folha voltou a alguns dos pontos citados acima e constatou, que a preocupação dos moradores continua.

A promessa de construção de piscinões na avenida Anhaia Mello não saiu do papel. Enquanto isso, o crescimento urbanístico ao longo da via segue a todo vapor. Atualmente, as obras do monotrilho ocupam o canteiro central da avenida, que conta ainda com a construção simultânea de alguns edifícios residenciais.

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