Terça-feira, 03 de Março de 2026
Rotina de aulas vagas na escola estadual MMDC

Na última quarta-feira, dia 18, a Folha esteve mais uma vez na porta da escola estadual MMDC, uma das mais tradicionais da Mooca, e constatou que muitos estudantes tiveram mais uma semana perdida de estudos, por conta do problema de aulas vagas que a Secretaria de Estado da Educação não consegue resolver.
Uma das alunas que conversou com a reportagem contou que naquele dia, das seis aulas previstas, só teve duas. Ela está no 3º ano do ensino médio, decisivo para o vestibular. “Tive apenas as duas primeiras aulas e o restante do tempo ficamos na sala sem fazer nada. Geralmente vamos para o pátio, mas como estava muito frio, ficamos na sala mesmo”, comenta. As disciplinas que a turma desta estudante deixou de ter foram: matemática e português.
Na edição passada, a Folha abordou a falta de professores na unidade e a Secretaria da Educação do Estado admitiu apenas a ausência de professores de matemática, alegando que as aulas desta disciplina estavam em processo de atribuição e seriam ministradas por professores eventuais. No entanto, apesar do ano letivo estar praticamente na metade, ainda não há data certa para os novos professores assumirem as aulas, nem um esquema definido de reposição das aulas perdidas.
Outro problema é que rebatendo a afirmação da Secretaria, continuam chegando denúncia de falta de professores para outras disciplinas, como português, geografia e filosofia. “Dá para contar quantas vezes o professor de geografia apareceu. Também tenho bastante aula vaga de português e filosofia”, afirma uma aluna do 2º ano. “Como vamos repor esse monte de aulas perdidas?”, questiona.
Após publicação da matéria, mães de alunos também postaram mensagens no site da Folha, nas quais relatam a situação da escola. “Há muito tempo a unidade está sem grade curricular definida. Meu filho estuda lá desde o ano passado. (…) A atual diretora diz não saber quando será retomado o quadro de professores de geografia, matemática e filosofia. Decadência total nesta instituição de ensino. Está falida. No meio do ano, vou transferir meu filho para tentar recuperar o tempo perdido”, escreveu uma mãe. Outra afirma que a unidade está uma bagunça e pede ajuda: “Há mais aulas vagas que aulas… Acredito que o governo esqueceu dos nossos filhos… Para os políticos é interessante manter as crianças semianalfabetas, pois o que eles precisam são apenas dos votos. Precisamos de ajuda. Esse é o pedido de uma mãe indignada e desesperada…”.
A Folha cobrou de novo da Secretaria quando as aulas serão normalizadas na unidade e como o conteúdo perdido até agora será reposto, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.
Escola estadual na Mooca não tem professor de matemática


