Série de incêndios provoca interdição de torre de apartamentos

Moradores do Condomínio Portal, na avenida Vila Ema, 2258, viveram momentos de pânico no último domingo, dia 22, com o terceiro incêndio recente no local. Bombeiros foram acionados, mas, desta vez, o problema não chegou ao fim com a extinção das chamas. A Subprefeitura de Vila Prudente, em conjunto com a Defesa Civil, interditou uma torre inteira do empreendimento. A justificativa foi a segurança e a liberação ocorrerá somente após a apresentação de laudos técnicos que comprovem a integridade da estrutura.

A torre interditada tem 245 apartamentos e soma mais de 400 residentes que tiveram que buscar alternativas temporárias de moradias. “Antes da interdição já estava receoso de continuar no prédio com a minha família. E o medo de acordar com tudo em chamas de novo? Tivemos que sair às pressas no domingo”, conta um morador que pediu para não ter o nome divulgado. “Precisamos de respostas urgentes das autoridades e da construtora”, completa.

Todos os incêndios aconteceram no mesmo apartamento, no terceiro andar da torre interditada. No último domingo o imóvel ficou completamente destruído. O casal que residia no local afirma que terá um bebê dentro de três meses.

O condomínio preferiu não se manifestar até ter acesso aos laudos. Na noite da segunda-feira, dia 23, moradores fizeram uma manifestação na avenida Anhaia Mello, em frente a um escritório da construtora Plano&Plano, responsável pelo empreendimento.

Construtora

O condomínio Portal foi entregue em março de 2024 e segundo a Plano&Plano, “o projeto foi validado por todos os órgãos fiscalizadores durante a construção e no ato da entrega”.

Em nota encaminhada à Folha, a construtora afirma que desde que tomou conhecimento do primeiro incêndio, em 8/2/2026, “vem atuando com apoio técnico especializado, acompanhamento junto às autoridades competentes e alinhamento com os responsáveis pelo condomínio para a apuração dos fatos, além de ter oferecido suporte ao morador”.

Após o novo caso no último domingo, a empresa alega que “providenciou uma perícia e levantamentos técnicos em regime de urgência”. Afirmou ainda que não há indícios de outras unidades afetadas e que tem oferecido ajuda de custo diária para os moradores até a liberação da torre.

Autoridades

O caso é investigado por meio de inquérito policial instaurado pelo 42º Distrito Policial – Parque São Lucas. Exames periciais foram solicitados e estão em fase de elaboração. Foi informado ainda que as diligências seguem em andamento para esclarecer os fatos.

A Subprefeitura Vila Prudente informou que interditou a torre, em conjunto com a Defesa Civil, considerando o risco à segurança dos moradores. Explicou que no dia 12 de março, já havia feito a interdição do apartamento onde ocorreram os incêndios. Porém, com a exposição prolongada a altas temperaturas em ambiente fechado no último domingo, a interdição foi ampliada para toda a torre diante da possibilidade de comprometimento das propriedades estruturais do edifício.

A Subprefeitura explicou que a interdição permanecerá vigente até a apresentação de laudos técnicos que comprovem a integridade da estrutura. Também serão exigidos ensaios técnicos e laudos das instalações elétricas, de gás e hidráulicas, atestando a inexistência de riscos. Somente após o recebimento da documentação, haverá análise para eventual desinterdição.

Todos os incêndios aconteceram no mesmo apartamento, no terceiro andar da torre interditada