Teatro Arthur Azevedo só reabre em 2014, com mais conforto e novidades para o público

teatro1Fechado desde setembro de 2011, o sexagenário teatro Arthur Azevedo, na avenida Paes de Barros, na Mooca, deve voltar a funcionar apenas nos primeiros meses do ano que vem. No entanto, com exceção da bela arquitetura do imóvel, tombado em 1992, o espaço em nada deve lembrar aquela velha sala de espetáculos com intensas goteiras, poltronas apertadas, falta de acústica e tantos outros problemas que acabaram por interromper as sessões no local bem antes do início da ampla reforma, que só começou efetivamente em julho de 2012. Quando reabrir ao público, além de diversas melhorias, o teatro também contará com uma ala anexa com oficina de cenografia e uma sala multiuso que servirá para formação técnica e poderá abrigar pequenos espetáculos alternativos.

Acompanhada de assessores e técnicos das secretarias municipais de Cultura e de Infraestrutura Urbana e Obras, além do engenheiro responsável pela reforma, a reportagem da Folha esteve no Arthur Azevedo na manhã da última quarta-feira, dia 12.  A autora do projeto que vai dar nova vida ao antigo teatro é a arquiteta Silvana Santopaolo, da Secretaria Municipal de Cultura. A obra é realizada pela construtora Engetal e está orçada em R$ 5,4 milhões.

Atualmente, 34 operários trabalham no local. “O espaço tinha graves problemas de infiltração. Sabemos que chegava a chover dentro do teatro no meio do espetáculo. Derrubamos todo o telhado e estamos fazendo uma nova cobertura. Também trocamos toda parte hidráulica e elétrica”, ressalta Salvador Morbach Jr., da Engetal.

teatro2Outra melhoria é o completo tratamento acústico – até então o teatro contava com o sistema apenas nas portas. “A acústica ficará perfeita, tanto nas portas como nas paredes. Esse era outro defeito do teatro. Na época da construção, não houve a preocupação de isolar o som e o barulho vindo da rua chegava a atrapalhar o espetáculo”, explica o engenheiro Gilberto Serai, do Departamento de Edificações (Edif) da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras. “Toda estrutura de cenografia, iluminação e som também será modernizada. Para se ter uma ideia, aqui no Arthur Azevedo ainda imperava aquela época romântica do cenário suspenso por cordas”, comenta Serai. “Mas, os operadores cênicos estão comemorando as melhorias!”, completa o engenheiro.

A arquiteta da Secretaria de Cultura que acompanhou a visita da reportagem, Melina Kuroiva, ressaltou que serão recuperados aspectos da arquitetura original do prédio. Outra preocupação do projeto foi garantir a acessibilidade e o conforto do público, além de respeitar as normas de segurança. “A capacidade do teatro foi reduzida de 480 para 376 lugares. As poltronas serão mais largas e também haverá espaço reservado para cadeirantes”, destaca Melina. O teatro também ganhará ar condicionado.

Sobre a nova ala, que terá 571,74 m², Melina destacou que trata-se de uma antiga reivindicação. “Além da oficina, que terá balcões para confecção de cenários; a sala multiuso, no andar superior, tem o pé direito alto para abrigar varas de iluminação que servirão para o ensino técnico. O espaço também foi idealizado para abrigar espetáculos que não têm um palco definido e propiciam a interação do público. Será um ganho a mais para o Arthur Azevedo”.

História

teatroO Arthur Azevedo faz parte de um conjunto de três teatros construídos na década de 50, segundo um mesmo projeto padrão concebido pelo arquiteto Roberto José Tibau. Os outros dois teatros são o João Caetano, na Vila Mariana, e o Paulo Eiró, em Santo Amaro. Eles surgiram como “teatros populares”, em bairros até então afastados do centro e ocupados por população operária. O Arthur Azevedo foi inaugurado em 2 de agosto de 1952. Em 1992 foi concretizado o tombamento do prédio pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico Cultural (Conpresp).