EDITORIAL: A Folha

Fundada no final de 1991, por um grupo de 14 empresários da região, entre eles Newton Zadra, a primeira edição da Folha de Vila Prudente foi às ruas em 17 de janeiro de 1992. Como o próprio Zadra costumava dizer (não raro, esbravejando), “editar um jornal de bairro é coisa de maluco”. Talvez, exatamente por isso, nos últimos anos ele era o único proprietário da Folha.
Sob a presidência atuante de Zadra, o jornal se consolidou como uma referência na imprensa regional. Defensor intransigente do jornalismo ético, não fazia censuras no conteúdo editorial, mesmo sabendo que muitas vezes encontraria a pessoa alvo das críticas na fila da padaria ou na feira de domingo. Pelo contrário, muitas vezes ele mesmo colocava a mão no teclado ou cobrava um texto mais contundente da equipe de redação.
Poucos podem se dar conta disso, mas é necessário ter muita coragem para editar um jornal de bairro. E esse é o grande diferencial da Folha: ao contrário de alguns veículos regionais, nunca se restringiu às colunas sociais ou a mera divulgação de releases (como chamamos as matérias que chegam prontas). Pelo contrário, Zadra era o primeiro a cobrar o jornalismo de verdade, combativo, apartidário e isento. Também defendia o conteúdo estritamente regional.
À frente do jornal foi visionário. Olhava para imensos terrenos ociosos e decidia iniciar campanha por um novo parque público. Não dava descanso às autoridades, aos políticos regionais, às demais lideranças locais, à sua equipe e a quem mais precisasse até o projeto vingar. Exatamente por esse espírito incansável, a Folha foi pioneira nas lutas pelos parques de Vila Prudente (em uma área abandonada ao lado do crematório) e da Mooca (no antigo terreno contaminado da Esso). Hoje, ambos implantados e abertos à comunidade, fazem parte do grande legado de Newton Zadra para a região.
Para a equipe da Folha essa é provavelmente a edição mais difícil de toda a sua história. Justamente porque sabemos que hoje não haverá broncas porque não gostou da foto, o título poderia ser melhor, faltou “veneno” em determinada nota, o texto está longo demais ou os anúncios estavam mal distribuídos (a lista é longa!). Com certeza, também brigaria porque “apareceu demais” e que o jornal não existe para mostrar o dono. Enfim, mas, dessa vez, a exceção é mais do que merecida e necessária.


