Quarta-feira, 15 de Abril de 2026
Editorial: Vendeu saúde e entregou morte

O Parque São Lucas ganhou enorme repercussão nacional nesta semana por causa de uma tragédia na academia C4 Gym, na esquina da avenida Oratório com a rua Bartolomeu Corrêa Bueno. Durante uma aula de natação no último sábado, dia 7, alunos sofreram grave intoxicação e precisaram sair às pressas da piscina. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, até o momento, são sete vítimas, uma delas fatal.
A comoção e a indignação em torno do caso estão sendo gigantes, como não poderia deixar de ser. Dois dias depois, a fachada da academia foi pichada com mensagens de “Justiça” e “Estamos de olho”.
O caso é investigado com agilidade pela equipe do 42º Distrito Policial, que fica exatamente em frente à academia. Na noite da quarta-feira, dia 11, o delegado titular Alexandre Bento pediu a prisão e indiciou os três sócios da unidade São Lucas por homicídio com dolo eventual, o que significa que eles podem ir a júri.
Depois da tragédia veio à tona que a academia estava aberta e atendendo dezenas de alunos sem o alvará de funcionamento. Na manhã da segunda-feira, dia 9, a Secretaria das Subprefeituras confirmou, por e-mail, que “a Subprefeitura Vila Prudente interditou, preventivamente, a academia devido às irregularidades encontradas como, existência de dois CNPJs vinculados à atividade exercida no endereço, não possuir o Auto de Licença de Funcionamento e constatada situação precária de segurança”. A academia funcionava irregularmente a poucos metros da Subprefeitura. Na tarde de ontem, dia 12, veio a nova explicação de que “a academia permanece lacrada e foi iniciado procedimento para cassação da licença expedida em 2009, em razão de alterações na estrutura do imóvel”.
Questionada pela Folha, a Prefeitura informou que a unidade da mesma rede C4 Gym, na avenida Zelina, também não possui licença de funcionamento. Foi emitido Termo de Orientação, e o proprietário tem prazo de 30 dias para regularizar a situação.
É inadmissível que estabelecimentos funcionem sem controle e sem fiscalização. E que a ação oficial aconteça somente depois da tragédia consumada. Nos leva a pensar em quantos comércios seguem abertos colocando em risco a vida de outras pessoas.
Quanto aos donos da academia, venderam saúde e não tiveram à devida responsabilidade. Devem responder criminalmente pelos irreparáveis danos causados.



